quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Heróis citadinos



Somos abortos telúricos.
Mas sonhamos herdar o mundo
E o que restou de nossa família
cobrimos com concreto e asfalto
E o que restou de nós mesmos
censuramos e esquecemos

Somos a força da engrenagem
motrizes do futuro bizarro
reproduzimos sem cessar
nossa inanição existencial
um voto um parto um partido
os vizinhos desconhecidos

Nos habituamos a cultuar a insensatez
o preconceito o ódio a distância
Tudo aquilo que ajuda a não pensar
o dogma o amor a autoridade
Não perder tempo
o dinheiro o pó a fé
Não parar
a cidade


Inocentes - A cidade não para

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