sábado, 29 de outubro de 2011

Desconforto..

a diferença
entre o silêncio tranquilizador
e aquele que encomoda
é aquilo que os precede.


"..e, à medida que se aproximavam,
seus silêncios ficavam mais longos.
Era como se não estivessem mais caminhando juntos.
O rapaz não encontrava nada para dizer
que pudesse convencê-la,
apesar da grande tristeza que sentia de vê-la voltando..
Seu coração estava despedaçado,
nada tinha a oferecer se não uma existência mísera e fuga,
uma noite sem amanhã,
se a bala de algum soldado lhe varasse a cabeça.
Talvez mesmo fosse mais sensato
não procurar novos sofrimentos
E assim reconduziu-se a casa, de cabeça baixa,
e não fez um gesto de protesto.."

Germinal - E. Zola - 1ª Edição - Ed. Abril, Rj - 1972. Pág. 424-425

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Factotum (2005)

É incrível, como nos agarramos
a nossa miséria
A energia que queimamos
alimentando nossa raiva

Incrível,
como em um momento
podemos grunhir como bestas,
para momentos depois,
esquecer o porquê

Não horas disso,
ou dias ou meses ou anos disso,

Mas décadas, vidas
completamente gastas
Entregues aos mais mesquinhos rancores e ódios
Finalmente,
não nos restou nada para a morte levar

Se for tentar
Vá até o fim
Do contrário,
nem comece
.

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Não gostei muito do filme, fraco fo começo até a metade e acho que não precisava repetir umas cenas do Barfly (1987). Mas aí estão uns trechos de Bulkowski que sempre vale a pena recortar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A espinha do diabo.. (2001)

Querem sentar e esperar?
Acham que alguém virá ajudar?

Eles tem uma arma.
São grandes,
são mais fortes.

Sim,
mas nós
somos a maioria.

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Gostei muito do filme El Espinazo del Diablo.
Entre tantas coisas, me lembrou muito esta imagem:
Fonte: Jornal anarquista A plebe - 11/08/1917

E também a cena do enterro no filme Terra e liberdade de 1995:

"A dor que sentimos agora
é muito profunda, é verdade.
Mas não deve nos paralisar.
Os companheiros
não morreram em vão.
Josefina, Sebastian, Teresa,
todos vocês, todos nós
lutamos pelos mesmos
ideais,
assim como eles fizeram.

E não nos vão parar!

Vamos buscar o que eles queriam
Eles estão aqui conosco,
lutando pela mesma causa.
Vamos deixá-los na terra,
mas a terra agora nos pertence,
companheiros,

e daqui temos de colher
a força para continuar a lutar.
Porque a batalha é longa
e eles são muitos.
Mas nós somos muitos mais,
sempre seremos mais.
O amanhã é nosso, companheiros!
A luta continua!
Não passarão!
Nós passaremos!
Viva a Revolução!
Viva!
Morte ao fascismo!
Morte!"

domingo, 23 de outubro de 2011

21 gramas..

Então essa é a sala de espera da morte.
Quem será o primeiro a perder sua vida?

Quantas vidas vivemos?
Quantas vezes morremos?

terça-feira, 18 de outubro de 2011

É porque tem 20 anos..


que degusta a vida
como a uma fruta vermelha
que é colhida, entre risadas.
Acha que tudo é permitido
e nada te passa pela cabeça.
Afligida por um momento,
pronta para recomeçar.
Brinca com meu coração
como uma criança endiabrada
que exige um brinquedo
para despedaçá-lo.

do filme Gainsbourg - Vida heróica
citando a música "parece que" do Aznavour

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

É natural, meu bem..

As vezes,
precisamos nos afastar
de quem amamos
pra esquecer,
pra viver melhor.

domingo, 16 de outubro de 2011

Caracremada (2010) - Filme

Sinopse: "Caracremada" foi um apelido utilizado pela guarda civil espanhola para se referir a Ramon Vila Capdevila. O filme pretende refletir sobre a resistência libertária ao regime de franco por este que foi seu último guerrilheiro em atividade. Quando a CNT decretou a retirada de seus homens, no ano de 1951, Ramon Vila permaneceu nos bosques no interior de Cataluña para retomar solitário sua luta.



Gostei muito. Belíssimo filme, bela fotografia. Um filme de poucas palavras, poucas explicações, mas muito significativo.

Material de apoio: "El maquis a Catalunya" (documentário)

Um material de apoio interessante é a série de 7 episódios "El maquis a Catalunya", da TVE, que conta desde o surgimento da Maquis (guerrilha antifranquista) em 1939, que se opôs a institucionalização do regime de Franco pela luta armada, até sua dissolução em 1963 com a morte de Ramon Vila.

Capítulo 1: Surgimiento del Maquis


Capítulo 2 - La invasión del Valle de Arán
Capítulo 3 - Ascensión y caída del Maquis urbano
Capítulo 4 - Marcelino Massana
Capítulo 5 - José Luis Facerías
Capítulo 6 - Quico Sabater Llopart

Capítulo 7: Ramón Vila "Caraquemada"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Filmes sobre a revolução espanhola

Cena do Las bicicletas son para el verano

Vou manter aqui uma lista de filmes e documentários sobre a revolução espanhola, mesmo após a "vitória" de Franco. Mandem sugestões:
  • Terra espanhola (1937) - Documentário (sub)
  • En la brecha. Aspectos de la revolución proletaria (1937) - Documentário
  • Por Quem Os Sinos Dobram (1943) - Filme (torrent)
  • As bicicletas são para o verão (1983) - Filme
  • Terra e Liberdade (1995) - Filme
  • Durruti en la Revolución Española (1996) - Documentário
  • Libertárias (1997) - Filme
  • Vivir la Utopía (1997) - Documentário
  • A Língua das Mariposas (1999) - Filme
  • Buenaventura Durruti, Anarquista (1999) - Documentário
  • A espinha do diabo (2001) - Filme
  • A Guerrilha da memória (2001) - Documentário
  • Soldados de Salamina (2003) - Filme
  • O Labirinto do Fauno (2006) - Filme
  • Salvador - Puig Antich (2006) - Filme
  • Las 13 Rosas (2007) - Filme
  • Os Girassóis Cegos (2008) - Filme
  • A mulher do anarquista (2009) - Filme
  • Caracremada (2010) - Filme (sub)
  • Pão Negro (2010) - Filme
  • Pássaros de papel (2010) - Filme
  • Encontrarás Dragões (2011) - *Filme sobre a Opus Dei *1
Críticas pessoais:

1.:
Antes de ver o filme Encontrarás Dragões (2011) tenham em mente o que fica óbvio depois de ver: ele foi produzido para santificar a Opus Dei e o padre Josemaría. Grande parte das cenas mostra a relação entre republicanos e revolucionários(colocados no mesmo pacote neste filme), facistas e a igreja católica. Há um esforço em lançar muitos elementos no ar: o amor, o ciúmes, o celibato, as perspectivas anarquistas, stalinistas, socialistas, a concepção burguesa, facista. Mas ao mesmo tempo em que os conflitos se acentuam a produção traça o caminho contrário, simplifica a relação histórica entre os grupos envolvidos, critica todos menos a igreja católica e, por esses motivos, empobrece muito o filme sem a menor necessidade. Outros diretores como Ken Loach, Del Toro ou J. L. Cuerda já mostraram que é possível ter um roteiro consistente e não fugir à complexidade suscitada pela revolução espanhola. Por isso, embora a fotografia, os atores, as imagens tenham um grande potencial cinematográfico, fiquei decepcionado com o roteiro e a única justificativa que vejo para isso é um possível "cerceamento" proveniente de seu patrocinio inicial: canonizar a Opus Dei, o padre Josemaría e a igreja católica.

Ótima referência: uhu.es - La guerra civil española en el cine

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Coquinho

Super divertida essa letra,
pra todos nós que já passamos por isso,
o jeito é ir lá pegar ele no chão,
botar no sol, tirar o pó
um novo dia virá:



Meu bem 'cê me mandou catar coquinho
Mas eu não fui catar coquinho não
Eu fui embora, triste e só
Xinguei, chorei, gemi de marré desci
Atrás de alguma explicação
E o amor me disse assim:
"Meu amigo, sei de nada não"

Meu bem 'cê jogou fora o meu carinho
Mas eu peguei de volta ele no chão
Botei no sol, tirei o pó
Limpei, lustrei, poli, deixei ali
Até que um dia vi que não
Achava mais você no meu coração
Oh não...

Porque 'cê me mandou catar coquinho
Mas eu não fui catar coquinho não
Passei no meio de um toró
Olhei, espirrei, tossi, mas fui por aí
Com um pé no céu e outro na mão
Caí noutra paixão e agora
Sei de nada não...

Meu bem 'cê jogou fora o meu carinho
Mas eu peguei de volta ele no chão
Botei no sol, tirei o pó
Limpei, lustrei, poli, deixei ali
Até que um dia vi que não
Achava mais você no meu coração
Oh não...

Porque 'cê me mandou catar coquinho
Mas eu não fui catar coquinho não
Passei no meio de um toró
Olhei, espirrei, tossi, mas fui por aí
Com um pé no céu e outro na mão
Caí noutra paixão e agora
Sei de nada não

Meu bem cê me mandou...

Affonsinho

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O meu amor..

Quando eu perdi a vergonha de amar..
Perdi também o constrangimento de viver..

O meu amor, aquele que sinto, só tem ponto de partida, não traça planos complexos, não conhece perfeição nem obsessão. É como o vento inconstante da maré que oscila sem pensar e, ainda que seus visitantes nunca mais olhem para trás ou parem para admirar sua invisibilidade, os refresca sem pedir nada em troca. Meu amor me alimenta mais do que aos outros, espalha sementes e nunca se equivoca. Meu amor é livre e espero que siga amando enquanto em mim houver algo a viver.

E já que o tema é esse, não custa repitir abaixo a seguinte provocação rabiscada nas salas de tortura do DOPS:
"É o amor, não a vida, o contrário da morte" *

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* Roberto Freire - Ame e dê vexâme. Ed. Guanabara Koogan S.A. - 1990. Pág. 199

Vida operária..


- Queria passar a vida um pouco pra frente e pular essas partes chatas
- Todos nós queremos. É uma pena que não dá né. Mas o tempo passa rápido, tão rapido que quando chegam as partes boas a gente nem aproveita direito kkkkkkkk

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Dica de blog procêis: Abstrações de uma mente insensata.