quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A miséria do bom senso

Na terra das contradições, a nova polêmica é a possível demissão dos cobradores do transporte coletivo de Londrina. A prefeitura e a empresa assumem publicamente que nenhum trabalhador será demitido até que um estudo de viabilidade seja concluído. Dias depois, quatro são mandados embora sem motivos aparentes. O sindicato ameaça greve, os movimentos sociais pressionam e, na mídia, a população crítica. Muitos profissionais da imprensa saem em defesa do direito empresarial de demitir e contratar seus funcionários caso não cumpram com as expectativas. Jarbas Ajota, um dos quatro demitidos, diz entretanto que sempre foi um bom funcionário, que gostava de exercer a profissão e que foi “apunhalado pelas costas”. Acidentes não esclarecidos acontecem: uma senhora é hospitalizada, um ciclista atropelado, um motorista sofre um infarto. O Sinttrol, que ameaçava greve, após um final de semana se cala e não age efetivamente pela readmissão dos trabalhadores. O antigo movimento pelo Passe Livre ressurge das cinzas em um ato público com cerca de 50 participantes pela readmissão e redução da tarifa que foi alterada duas vezes no mesmo ano, contrariando uma lei federal. No calor dos acontecimentos todos querem opinar. Alguns sugerem que a realocação dos cobradores para outras funções cortará custos. A discussão técnica pode começar a qualquer momento: gráficos para lá, tabelas para cá, percentuais e nós franziremos a testa para tentar entender alguma coisa disso tudo. Nessa turbulência, solicitamos apenas que não se esqueça do que é evidente. O transporte coletivo é uma concessão pública, um direito de todos. Por este motivo, deve prezar pelo amplo acesso e pela qualidade no atendimento. Quem vivencia o ônibus diariamente dá a dica: a função do cobrador é importante. Sem ele o motorista fica sob pressão e coloca os usuários em risco. Se condutores de carro são proibídos de dirigir ao celular, por qual motivo dirigir um ônibus, controlar o troco, o trânsito de passageiros e cumprir os horários seria mais fácil? As interrogações e incertezas continuam, o sindicato não se posiciona claramente, a prefeitura faz de conta que não é com ela e a empresa demite e desconvesa. O assunto é controverso e a transparência na gestão pública parece não ter lugar. O que todos os londrinenses querem é algo simples, coragem, uma definição clara sobre o que acontecerá com esses profissionais. Antes que os protestos cresçam e coloquem estudantes, mais uma vez, em risco ou que uma greve, neste setor vital, acabe com a rotina da cidade.


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Tivemos hoje uma oficina de jornalismo impresso com a profa. Rosane da Silva Borges. Cheguei atrasado pois estava no ato contra o aumento e em uns mintuos parí este editorial acima, mesmo assim, acho que ficou digno de postar. Vejam aí o que acham.

Ah, e aqui tem o Link de uma entrevista sobre o movimento passe livre em Londrina na Rádio Brasil Sul.

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