quinta-feira, 9 de junho de 2011

Brecht sobre a arte da observação

Aos atores-trabalhadores Dinamarqueses..
(excertos)

Não importa nada,
A forma como olha
Mas aquilo que viu
E aquilo que revela, tal importa
Vale a pena saber o quê se sabe
Eles observarão você
Para ver o quão bem observaste
Mas aquele que apenas observa a si mesmo
Nada ganha do conhecimento dos homens
Demasiado de si esconde a si mesmo
E nenhum homem é mais sábio que já se tornou
Logo, a sua aprendizagem deve começar no meio
Das vidas das outras pessoas. Faz sua primeira escola
O seu local de trabalho, a sua casa,
O lugar a que se pertence,
A loja, a rua, a condução
Observa a todos quantos o seu olhar alcance
Observa os desconhecidos como se fossem familiares
E àqueles que conheces, como se fossem estranhos

[...]

Para observar deve-se aprender a comparar.
Para poder comparar
Deve-se já ter observado
Da observação nasce o conhecimento.
Mas é necessário conhecimento para observar
Aquele que não sabe
O que fazer da sua observação
Observará mal
O fruticultor olhará para a macieira
Com um olhar mais acurado do que o passante distrído
Mas só quem sabe qual o destido de ser social do homem
Pode ver, acuradamente, a seus companheiros de gênero

[...]

Observa a tudo isto de perto. Daí, no olho de sua imaginação
De todas as batalhas livradas pelo ganha-pão
Crie imagens
Desdobrando e cultivando-as, como movimentos na história

(BRECHT, Bertold. Poemas. Org. António Souza Ribeiro. Asa: Porto, 2007. pp.281-285. Tradução inglesa cotejada com versões portuguesa/castelhana adaptada ao Brasil)

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