domingo, 15 de agosto de 2010

Agora é quando?

É muito difícil escrever, falar, ou inclusive pensar em política nestes dias sem se referir aos anos do golpe militar e suas consequências. E isso porque, gostemos ou não, são parte de nossa história. Uma história da qual não participamos, mas, sentimos o peso. Porque é a história de uma derrota. E, ainda que preferíssemos não ser produto dela, estamos marcados. Porque a nós restou carregar as consequências a longo prazo: repressão cotidiana, uma cadeia de opressão subentendida e silenciosamente praticada e a ditadura do mercado, na qual só temos um direito universal e básico: sobreviver para produzir nossa sobrevivência. A liberdade não tem valor, foi trocada pela “ordem” e o “progresso”. Não vivemos a derrocada da utopia, mas, no ar que respiramos os sonhos são atributos de “jovens e tolos” e os “adultos responsáveis” se ocupam com suas contas e seus mecanismos para conquistar um lugar ao sol, ainda que ele implique na escuridão alheia.

Nosso desejo de criar um mundo melhor, entretanto, não morreu.

Pouco importam discussões insolucionáveis. Tampouco nos interessa desvendar se esses, que hoje pensam e agem de forma tão diversa do que pregavam, mudaram por convicção, maturidade, covardia ou oportunismo. Essas discussões nos deixam ancorados e nos impedem de construir o que necessitamos com mais urgência: Compreender a realidade, porque é tão perversa, porque nos condena à infelicidade ou, ao menos, a uma vida incompleta e instável.

Consideremos também a escala planetária. Vimos aflorar projetos antiopressores ( guerras de libertação nacional, revoluções armadas, democráticas, etc.) para no fim sintonizarmos novas mazelas. Por isso não nos enganemos mais, a luta deve ser global e aprender lições com o passado.

Me encanta pensar que não precisamos mais sentar na fila de espera, não precisamos aguardar a chamada, limitar nossa existência à esperança, nostalgia, a promessas e programas salvadores. O que me anima é acreditar que somos os protagonistas! De uma busca nova, diversa, participativa e criativa. Que nossa casa, bairro, trabalho e escola é o nosso campo de ação, que nossos únicos amigos somos nós mesmos, que nossas mãos estão atadas pelo apoio mútuo, que podemos construir um futuro diferente. Não mais esperar que nos digam quando é a hora.

Agora é quando?

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Mais um dos meus velhos textos que estou recuperando. Esse escrito no dia 03/09/2005, pelo que consta aqui. Provavelmente inspirado em algo que eu deveria estar lendo na época.

2 comentários:

JPM disse...

Olá,
Excelente e oportuno questionamento!
Há mais de 20 anos, no período da chamada "abertura democrática", um professor que deveria ter lá seus 40 anos disse: desde quando fui criança ouço dizer que o Brasil é o país do futuro.
Digo eu, continuam nos dizendo isto. Especialmente aos jovens, para deles sugarem submissão e trabalho à exaustão.
Saúde e felicidade.
JPMetz

Lucas disse...

pois é. temos o segundo maior crescimento econômico do mundo, ainda assim os índices de desemprego, violência, crianças que abandonam as escolas, desrrespeito aos direitos humanos continuam os maiores do mundo. O futuro será quando? queremos viver para ver. Abraço JPM!