sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A idéia


Transformaram a idéia, e o conhecimento, em uma mercadoria e agora tentam vendê-los. Esqueceram-se apenas de um detalhe. Uma idéia, e o conhecimento, não se põe na lata, não nascem sozinhos e nem se produzem em laboratórios exclusivamente mecanizados. As idéias são livres e o conhecimento também, só assim podem existir. Sua difusão, apropriação, reapropriação, transformação são processos que não se pode deter.

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Essa postagem foi inspirada pela questão do xérox no blog: CACH - Unicamp

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu sei o que você fez no verão passado..

Requião!

Mais uma velharia que achei e vou desenterrar aqui. Essa é apenas a transcrição de um panfleto que tenho impresso e, pelo que consta, foi publicado no dia 27/09/2005 na UNIOESTE - Universidade Estadual Oeste do Paraná. Eu participei desse ato que relata o panfleto e, por mais absurdo que pareça ser, sou testemunha que tudo realmente ocorreu:

DCE – UNIOESTE INFORMA:

Estudantes e trabalhadores em defesa da Universidade Pública!

Cerca de 1000 estudantes e trabalhadores estiveram em Curitiba, na última quarta-feira dia 21 de setembro de 2005, lutando contra os corruptos e os corruptores, contra a política econômica adotada pelo governo federal e contra as reformas neoliberais defendidas e implementadas pelos governos federal e estadual. Especificamente estiveram lutando contra esse direcionamento político que enxuga cada vez mais nossos direitos e os serviços públicos para suprir os grandes capitalistas e pagar da dívida externa aos imperialistas. Participaram do ato, trabalhadores e estudantes, das universidades: UEL, UEM, UEPG, UNICENTRO, UNIOESTE e UFPR.

Requião OFENDE os manifestantes e põe população em risco!

Após um arrastão pelas salas da UFPR os participantes concentraram-se na praça S. Andrade e, em seguida, marcharam para o palácio do Iguaçu. Durante esse trajeto, além da animação dos manifestantes, destacamos o apoio da população com chuva de papel picados e buzinaços. Ao chegar no Palácio do Iguaçu o carro de som foi posicionado e iniciou-se a fala das entidades participantes para finalizar o ato, porém, para surpresa de todos Requião saiu de seu palácio para “conversar” com um grupo de famílias rurais que o aguardava. Surpresos com a presença do governador, e extremamente indignados, todos protestavam e ele respondia com mentiras e ofensas, desfilando mais uma vez seu infeliz veneno, e tentando jogar ainda os trabalhadores rurais contra os demais ao dizer: “E agora vocês que são trabalhadores de verdade com as mãos calejadas vamos fazer um acordo: expulsem esses baderneiros com a força de suas bandeiras”*, por sorte o jogo sujo do governador não funcionou e apesar da pequena confusão, que pôs em risco os presentes, os trabalhadores rurais cederam espaço para a luta em defesa do Ensino Superior, obrigando Requião, covardemente, a se trancar em seu palácio, ouvindo os manifestantes que gritavam “Facista! Facista!”, sem explicar o porquê dessa repulsa à educação.

O DCE repudia veementemente esse governo porque além de manter a opção política de PRIVATIZAR a UNIVERSIDADE PÚBLICA e investir nas privadas, opção que no Governo Lerner foi responsável pela greve de 6 meses, ainda se orgulha de sua ignorância ao se referir aos estudantes e trabalhadores que lutavam pelos seus direitos dessa forma, veja o que Requião pensa sobre a Universidade Pública:

“Esses palhaços com narizes de palhaços engulam seus apitos”

“Esses vagabundos não valem o que comem” - Baseado em que o governador atribui valores?

“Quem usa óculos escuros não é homem”

“Filhinhos de papai que nunca trabalharam” - Não trabalhamos? Não será ele o maior filhinho de papai dessa história?

“O leite desenvolve os Neurônios” - Tentando justificar a ausência de investimentos na universidade pública com um programa assistencialista de distribuição de leite nas escolas primárias, como se uma coisa resolvesse a outra.

“Moleques desinformados” - Depois das falas acima fica óbvio quem está desinformado.

Você sabia?:

• O Estado do Paraná investe 40 x mais na clínica de Fisio da Fag do que na da UNIOESTE.

• Nos últimos anos a arrecadação do Paraná triplicou mas os investimentos em educação superior pública caíram 48%.


* Todos os trabalhadores rurais seguravam bandeiras do Estado do Paraná e bonés com a cor do estado.

domingo, 15 de agosto de 2010

Agora é quando?

É muito difícil escrever, falar, ou inclusive pensar em política nestes dias sem se referir aos anos do golpe militar e suas consequências. E isso porque, gostemos ou não, são parte de nossa história. Uma história da qual não participamos, mas, sentimos o peso. Porque é a história de uma derrota. E, ainda que preferíssemos não ser produto dela, estamos marcados. Porque a nós restou carregar as consequências a longo prazo: repressão cotidiana, uma cadeia de opressão subentendida e silenciosamente praticada e a ditadura do mercado, na qual só temos um direito universal e básico: sobreviver para produzir nossa sobrevivência. A liberdade não tem valor, foi trocada pela “ordem” e o “progresso”. Não vivemos a derrocada da utopia, mas, no ar que respiramos os sonhos são atributos de “jovens e tolos” e os “adultos responsáveis” se ocupam com suas contas e seus mecanismos para conquistar um lugar ao sol, ainda que ele implique na escuridão alheia.

Nosso desejo de criar um mundo melhor, entretanto, não morreu.

Pouco importam discussões insolucionáveis. Tampouco nos interessa desvendar se esses, que hoje pensam e agem de forma tão diversa do que pregavam, mudaram por convicção, maturidade, covardia ou oportunismo. Essas discussões nos deixam ancorados e nos impedem de construir o que necessitamos com mais urgência: Compreender a realidade, porque é tão perversa, porque nos condena à infelicidade ou, ao menos, a uma vida incompleta e instável.

Consideremos também a escala planetária. Vimos aflorar projetos antiopressores ( guerras de libertação nacional, revoluções armadas, democráticas, etc.) para no fim sintonizarmos novas mazelas. Por isso não nos enganemos mais, a luta deve ser global e aprender lições com o passado.

Me encanta pensar que não precisamos mais sentar na fila de espera, não precisamos aguardar a chamada, limitar nossa existência à esperança, nostalgia, a promessas e programas salvadores. O que me anima é acreditar que somos os protagonistas! De uma busca nova, diversa, participativa e criativa. Que nossa casa, bairro, trabalho e escola é o nosso campo de ação, que nossos únicos amigos somos nós mesmos, que nossas mãos estão atadas pelo apoio mútuo, que podemos construir um futuro diferente. Não mais esperar que nos digam quando é a hora.

Agora é quando?

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Mais um dos meus velhos textos que estou recuperando. Esse escrito no dia 03/09/2005, pelo que consta aqui. Provavelmente inspirado em algo que eu deveria estar lendo na época.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Exodus - Daara J



Nós somos milhares
A deixar nossos países em busca da terra prometida
Eles são milhões a deixar seus países
Em busca do Eldorado Nyabinghi (termo da cultura Rasta com vários significados)
(bis)

Refrão

Para todos os brothers que estão no êxodo
Para todas as irmãs que estão no êxodo
Exodus
Para todos os clandestinos, todos os Bana Bana (mercadores ambulantes)
Que procuram o Eldorado na Américana
Exodus

Exilado, é preciso que eu vá em direção ao meu destino
A sorte é meu caminho, meu futuro nas mãos
Deixei pra trás minha família, minha pátria
Tudo o que eu amo, enfrentar a vida
Para um amanhã melhor

Eles foram para os países distantes
Partiram pelo mar para além das fronteiras
Para o Hexágono (A França), Ultramar (colônias francesas) ou Dom-Tom
(territórios franceses)
Pelas ruas da Babilônia
Bençãos

Eles se esforçaram, suaram, fizeram tantas preces
Sonhos realizados, eles retornarão com orgulho ao solo natal
A terra do amor, a terra do amor
Exodus

Adeus família e terra, oh amigos e irmãos, oh família e terra
Eu retornarei com os bolsos cheios de ouro
Eu os farei aproveitar aos sabores do horizonte
(bis)

Exodus

(agora em Wolof, lingua mais falada no Senegal)

Dem na niou dem, ña ngay dem
Bayiko tefess
Diégui Diégui meuneu noot
Si tangay ak nakarr gui samp sen khol ba mou né mess
Ña ngay dem ganaw yakar
Bokk yakkar Bayiko Souf mbokkou sopey

Niou ngi gadday bayiko thia fééés
Nakar la niou beug mou né méés
Kholou dokhandem ma ngi féés
Bayi souf ak mbokk né méés

Yénéne saay khél ak khol toukki yoni demb
Niou dioya dioy [....]niana niane
Thi ay biss méttit dieulé wone na len fa
Térré woul fa niou téér, diam térou na len fa

Exodus, Povo Africano!

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Um obrigado especial a Fran Favero que fez a tradução da letra Exodus do Daara J "sem muita reflexão" e compartilhou! : )

domingo, 8 de agosto de 2010

A maior riqueza do homem é a sua incompletude

"Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.


Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."

Manoel de Barros

sábado, 7 de agosto de 2010

Marchemos..



Frente ao domínio e a exclusão, união e resistência é condição necessária à existência. Mas seguimos isolados e sem rumo. Na destruição, o que adianta marchar de cabeça erguida?



domingo, 1 de agosto de 2010

Aprendi!

A vida é um jogo e comunicar é apenas mais uma possibilidade de perder.. Errados erramos erros recorrentes e caros. Triste é descobrir que ferimos, magoamos e na vitória também fracassamos. Mas agora já é tarde de mais. Tarde de mais! Para aprender; voltar atrás; ou apenas se arrepender. Respirar fundo, comédia boa, recobrar a certeza da marcha sem sentido. Novos tsunamis errantes se abrem gloriosos. O dia que acertamos pelo esforço libertário ou estudo solitário, desnudando uma ingenuidade calorosa e aparente, nos traem, podam, educam e corrigem. Desiludidos, covardes, o fim, escolhemos entre o fraco e o fácil, pobres ou ricos, amantes ou amados, deficiência crônica ou eficiência atômica. Somos cegos produtos e produtores da destruição alheios a realidade com rotinas que constróem castelos de ilusão tão altos quando a distância entre a perfeição e a dominação, tetos sem chão, palavras sem ação, universos paralelos em um mesmo plano.. Não somamos nada, somos ninguém.

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Sabe aquelas coisas que agente escreve em momentos estranhos e depois esquece em um canto qualquer, coleções de velharias por algum motivo estimadas. Nem utilizamos, nem jogamos fora. Então, resolvi publicar algumas que encontrei.. Espero que não se ofendam, essa aí de cima é de julho de 2009, pelo que consta aqui. Vale ressaltar que tudo isso é poesia, é cotidiano. E mesmo assim, com todo o peso que, as vezes, me serra a alma, ainda acredito em dias melhores.