quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nacionalistas!

( Imagem publicada no jornal A Plebe no dia 01/05/1947 )


Os nacionalistas consideram que nosso problema é a falta de patriotismo. Como se defender um país perante os demais pudesse eliminar a opressão, a exploração e gerar melhorias para todos nós. Como se os exploradores fossem todos os inimigos estrangeiros e aqueles que não estão dispostos a defender a superioridade do seu país. Mas a própria idéia de superioridade já contém em si a perspectiva da hierarquia, de exclusão e opressão. A dominação de uns poucos, a ganância, aliada a esse tipo de pregação permite que países (como França, Inglaterra, Portugal, Espanha, agora EUA, e etc...) se sintam no direito de invadir territórios e povos considerados inferiores, ou menos civilizados, no direito de usar até armas químicas promovendo a mais covarde forma de guerra. Foi assim que assim exterminaram e condenaram a fome milhares e ainda trucidaram boa parte da biodiversidade do planeta colocando em risco a vida das gerações futuras. Podemos citar muitos exemplos: Vietnã, Marrocos, Palestina, Afeganistão, Haiti, as colonizações e o extermínio dos povos indígenas, as ditaduras civis-militares que tornaram a tortura, a censura e a repressão formas legais de impor aos pobres a vontade dos patrões e tiveram de forma irrestrita o apoio e financiamento das potências estrangeiras. Todas essas barbáries só aprofundaram o medo, a miséria e a segregação. É por esse tipo de concepção de mundo que homens entregam suas vidas aos exércitos, sendo sub-julgados por seus comandantes e coronéis, sendo preparados para matar e morrer por seus países, sem considerar que no país que tanto defendem também existem opressores, oprimidos e que entre os seus supostos inimigos podem estar pessoas simples e humildes, inclusive com gostos e idéias parecidas. Essa é portanto uma postura a-crítica porque considera todos os estrangeiros ou não nacionalistas como inimigos. Mas a verdade é que nos outros países também existem os exploradores e explorados. A verdade é que o nacionalismo é uma máscara usada para obscurecer a realidade e assim ajuda condenar à fome milhares. Se todos os países e povos se imbuírem desse sentimento seremos escravos da guerra e do ódio eterno entre os povos irmãos. Como se não bastasse a barbárie cotidiana imposta pelo modo de produção capitalista, estaríamos sujeitos ainda a mais esse barbarismo.

Nem pátria! Nem patrão!


Não nos confundamos:

A liberdade não é filha da ordem,
e nem pode ser gerada pela ordem.

É apenas liberdade ampla e irrestrita, de atuar, de se unir, se organizar, se revoltar, se solidarizar, de realizar trabalhos vivos e criativos que produzam uma sociedade melhor, e não apenas engordem os bolsos dos patrões, e até a liberdade ter mais momentos destinados ao lazer e ao ócio, que poderá gerar a ordem e o equilíbrio humano.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Nascer aqui ou ali é inevitável, mas vangloriar-se disto é uma limitação extrema e perigosa"