segunda-feira, 10 de maio de 2010

Caça fantasmas ou caça votos?

Diante da podridão da assembléia legislativa, rejeitar o eleitoralismo e as disputas das quadrilhas que dominam o Estado, levantar os tribunais populares para punir os crimes da burguesia

Há mais de dois meses a Rede Globo iniciou uma campanha denunciando os “Diários Secretos” da Assembléia Legislativa Paranaense. O esquema funcionava desde a década de 1980 e se valia de várias falcatruas, como crianças e mortos recebendo salários, funcionários fantasmas e milhões sendo roubados dos trabalhadores, que produzem todas as riquezas. Não é preciso um trabalho de jornalismo investigativo para chegar a estas denúncias, elas só vazam quando há disputas interburguesas, quando partidos que partilhavam juntos o saque aos cofres públicos tornam-se inimigos diante de alguma disputa e resolvem entregar os antigos comparsas. Mais adiante podem voltar a ser unha e carne: se xingam hoje e amanhã aparecem abraçados, pedindo votos.

Diante da corrupção há duas políticas:

A política burguesa se apóia em um dos grupos em disputa, usa as denúncias para favorecer eleitoralmente uma das partes. Mostra a corrupção como uma anomalia, um desvio; exige CPIs para que se retome o bom funcionamento do parlamento. Exorta a vigilância do judiciário sobre o legislativo ou deste sobre o executivo. Faz a maioria oprimida crer que é possível votar em bons candidatos, honestos, que farão do Estado o protetor de toda a sociedade.

A política proletária mostra que a corrupção é parte do Estado Burguês: o estado está podre e para alcançar postos nele é necessário participar da podridão. Presidentes, Governadores, Prefeitos, Senadores, Deputados, Vereadores, Juízes, policiais todos têm seus esquemas: propinas, caixa 2, lavagem de dinheiro, desvios, etc. As CPIs são um jogo de cena das quadrilhas que dominam o Estado, é inútil apostar que um bandido vai julgar o outro. Para julgar punir os crimes de classe da burguesia é preciso levantar os Tribunais populares, organizados pelas massas em luta.

E os caça-fantasmas?

Impulsionada pela Rede Globo, que por sua vez é impulsionada pelas disputas interburguesas, a UPE resolveu sair às ruas para “protestar” contra a corrupção. Tal bandeira, na boca de partidários do PT e PCdoB, é mero artificialismo. O horror contra a corrupção é seletivo, não se manifesta quando a roubalheira é protagonizada por seus partidos, seja no mensalão de Lula ou no mensalinho da Grande Londrina. Estes protestos são apenas um aquecimento para as eleições que se aproximam, “queimam” os partidos opositores e dão um atestado de idoneidade para os seus candidatos.

ANEL também quer caçar votos

Diante da ilusão de setores estudantis com as bandeiras de moralidade, a ANEL, em vez de denunciar o movimento caça-fantasmas, convoca os estudantes a fazerem parte deste. Falsificam a história exaltando até mesmo o “Fora Collor” como exemplo de movimento estudantil. Tal política se guia por cálculos eleitorais. A ANEL/PSTU adere ao que está dando visibilidade, quer dividir o saldo eleitoral com a UNE e UPE que estão dirigindo a campanha.

Os trabalhadores e a juventude não podem se deixar levar por esse jogo, é necessário responder com independência de classe, não se deixar manobrar, insistir na defesa de suas reivindicações mais sentidas: como trabalho e escola para todos e salário mínimo vital. Nenhuma ilusão no Estado burguês, corrompido até a medula.

------

Obs: Esse texto foi publicado no boletim de abril "Corrente proletária na Educação", do POR. E publico pois achei muito bom.

2 comentários:

Tânia Marques disse...

Postei o cartaz da campanha pelo voto nulo em todos os meus blogs:
www.marquesiano.blogspot.com
www.degraucultural.blogspot.com
http://wwwpalavraseimagens.blogspot.com (sem ponto depois de www). Obrigada por acompanhar-me. Beijos

Tânia Marques disse...

Você sabe o que aconteceu com o blog do Ozair? Aquele que likamos com o selo do voto nulo? Não consigo acessá-lo. Por quê? Beijos