sexta-feira, 30 de abril de 2010

Salvami

Os brancos, os pretos, a religião
o pessimismo da razão
a foto do grupo, o primeiro dia de escola
liberdade de movimento, liberdade da palavra
as oito princesas e os setecentos anões
as armas, os escudos, os direitos humanos
os corvos que crocitam “revolução!”
mas não tem pidedade e nem compaixão
o sangue se junta sobre o chão
detém as articulações do movimento
a voz que gagueja a esperança que tropeça
a cabra que vive, a cabra que sobrevive
a jornalista escritora que ama a guerra
porque se recorda quando era jovem e bonita
amigos e inimigos, que conforto
o vilarejo de lama contra a grande cidade

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salvemenos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

As redes, os portões, a zona vermelha
milhões de cruzes, milhões de sepulturas
a OTAN, a FAO, as nações unidas
seis milhões e trezentos mil de videiras
dignidade, dignidade, uma virtude normal
a indiferença, é o mais grave dos pecados mortais
o mercado mundial, o mercado regional
a cruzeiro do sul e a estrela polar
o NASDAQ que cai, o petróleo que cresce
a bolsa que desce, a bolsa que sobe
a história nos ensina que não existe final ao horror
a vida nos ensina que vale só o amor

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salveme-nos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

O PIB, a riqueza misturada ao consumo
a rede global, os sinais de fumaça
a conversão da energia
o copo de calda da economia
o computador, a transformação
e nos sobre um ferro que tem agora as pistolas
a face sem medo, a vida que voa
o estomago, o figado, o peito, a garganta
Peshawar, Nova Iorque, Serra Leão
a polícia, seguro de vida
a inocência perdida, a razão do estado
uma só potência, um só mercado
um só jornal, uma só rádio
os mil esqueletos dentro do armário

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salvemenos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

A história nos ensina que não existe fim ao horror
a vida nos ensina que só vale o amor

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salvemenos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

Música: Salvami - Autor: Lorenzo Jovanotti
Tradução: Sabrina F.



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( Agradecimentos especiais a generosidade e companheirismo da Sabrina pela tradução! )

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O sonho do operário

Aí, quero ver quem vai pegar o nada custa com a justiça divina

O operário sonhou
que a elite condenou ele a morte
depois lhe mandou pro inferno
você é pobre favelado e não tem muita sorte

Olha que foi um desespero danado
Na hora de entrar no caldeirão
Pinto logo o capeta mirim lhe perguntando qual é seu grau de instrução
Porque também para entrar no inferno tem que fazer vestibular com o filho do cão

Olha que na continuação do seu sonho
Ele encontrou várias autoridades
Na fila da comprovação tinha muitos civis e militares
Um parlamento completo e até chefe de nação
Foi aí que o chifrudo chefe deu aquela explicação

Lá na justiça da terra
Vocês não devem nada a ninguém
Porque a lei dos homens é somente aplicada
Em cima daqueles que nada tem

Mas a justiça divina
Não tem jeito de enganar
Nem o poderoso dólar dos senhores
Lá não consegue subornar

ihh...

Vocês na vida material
Abusaram muito do poder e do nome
Fizeram injustiça com os trabalhadores
E milhares de crianças mataram de fome
Por isso tão aqui no inferno
Pela justiça divina condenados
É aí que o provérbio diz assim:
Quem deve a Deus pague o Diabo

E o chifrudo gritou:
É quem robou lá na terra levante o dedo
Não tentem me enganar
Contem logo a verdade eu conheço o segredo
Vou botar vocês no Pau de Arara

Quem robou lá na terra levante o dedo
(sujou.. sujou)

É o operário sonhou
Que a elite condenou ele a morte
depois lhe mandou pro inferno
você é pobre favelado e não tem muita sorte

.....
Bezerra da Silva


segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Samba do Operário


Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário

Mas como não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário

Abafa-se a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar

Trabalho feito por minha mão
Só encontrei exploração
Em todo lugar

Cartola.



segunda-feira, 5 de abril de 2010

A classe operária vai ao paraíso


Operários! Operárias!

Eu falo em nome dos seus companheiros, estudantes.

São 8 da manhã.

Logo, quando saírem, já estará escuro!

Para vocês, hoje, a luz do sol não brilhará!

Ganharão pouco por 8 horas de jornada!

Sairão velhos, vazios

Convencidos de terem ganho o dia

Mas ao invés disso, terão sido roubados!

Sim! Roubado 8 horas de suas vidas!

Operários! Operárias!

Estão entrando na prisão!

União entre trabalhadores e estudantes!

Mais riqueza e menos trabalho!
Mais riqueza e menos trabalho!
...

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Essa é a transcrição de um trecho do filme "A classe operária vai ao paraíso".

A dica do filme foi da querida Carol - a menina do dedo verde.
Vejam mais no Youtube.