quinta-feira, 18 de março de 2010

*O Software Livre na Universidade Estadual de Londrina

O que é Software Livre?

É um programa de computador que garante ao usuário algumas liberdades básicas: a de ser utilizado, copiado, estudado e até alterado e distribuído de forma irrestrita. Dessa forma, aqueles que utilizam e defendem o software livre baseiam suas relações em princípios de solidariedade social e compartilhamento do saber.

Embora a maioria dos programas livres possam ser copiados facilmente da internet e instalados em qualquer computador, o que os confere esse atrativo da disponibilidade e baixo custo. É importante lembrar que essa não é apenas uma questão de preço. Porque, como afirma o precursor do movimento, Richard Stallman:

permitir a distribuição de cópias é permitir a solidariedade social”

E quem paga por esse software?

Para que um programa de computador seja desenvolvido é preciso investir em sua criação. Mas se o programa pode ser baixado livremente na internet e distribuído, quem é que paga e quem é que lucra com ele?

Empresas como a Conectiva Linux, ou a Red Hat Linux, por exemplo, oferecem um conjunto de programas livres e cobram por isso, oferecendo todo suporte necessário ao cliente para instalação e utilização dos programas fornecidos.

Além disso, os cientistas da computação e sócios da empresa UsoSim, que utiliza ferramentas em software livre para desenvolver suas soluções comerciais e está incubada na INTUEL – Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina, Fabrício Ferracioli e Rafael de Paula Herrera, explicam que existem empresas que se beneficiam desses programas e do conhecimento envolvido, por esse motivo, investem nele e também são beneficiadas pelas melhorias feitas pela comunidade mundial de desenvolvedores, voluntários ou não. Um exemplo é a gigante IBM, que há mais de onze anos incentiva o desenvolvimento do GNU Linux, um conjunto de programas de computador que permitem até a substituição do sistema operacional Windows.

E são milhares os profissionais e usuários ao redor do mundo trabalham de modo voluntário com software livre. Eles explicam que isso ocorre porque uma série de projetos de softwares livres são auto-organizados por programadores e difundidos na rede mundial. Nesses grupos, é possível se engajar de modo rápido e sem burocracia. Essa participação e a relação direta e solidária com outros profissionais possibilita o acesso a uma enorme gama de conhecimentos e um aprendizado rápido. Conforme o profissional ganha conhecimentos e consegue contribuir com o software livre, seu prestígio aumenta e sua competência é automaticamente reconhecida. É uma espécie de meritocracia onde o capital humano passa a ser muito valorizado. Além de contribuir socialmente, o desenvolvedor é incluso em uma espécie de vitrine profissional para as empresas de tecnologia da informação, que se interessam naturalmente por profissionais reconhecidos, capacitados, experientes e responsáveis.

E o que a Universidade tem a ver?

Ao menos na teoria, a universidade pública funciona da mesma forma. Embora os estudantes não paguem mensalidade, ela não é exatamente gratuita, mas seu custo é deduzido da arrecadação de impostos. Por isso, ela deve cumprir também um papel social, não apenas ao formar profissionais, mas ao permitir o acesso ao conhecimento, permanecer autônoma, mas não isolada, dos governos e corporações e criar condições para que o saber seja produzido e difundido, retornando os benefícios de sua evolução para a sociedade. É o tripé do ensino, pesquisa e extensão.

Para se ter idéia da economia possível com o software livre, podemos observar a avaliação do ex-presidente da Celepar - Companhia de Informática do Paraná - Marcos Mazoni, em 2003, onde ele explica que, com a política de software livre adotada pelo governo:

o Paraná já economizou cerca de R$ 127,3 milhões”

Em tese esse montante, que deixa de ser gasto na aquisição de programas de computador geralmente criados por empresas estrangeiras, pode ser reinvestido em novas tecnologias ou em outros setores da administração pública. Ou seja, é um valor que permanece em circulação na economia local e traz benefícios para toda a sociedade.

Por esses motivos, procuramos levantar como está a implantação e utilização do software livre na Universidade Estadual de Londrina. Descobrimos que, existam conquistas significativas, mas, como afirma o técnico de informática do Departamento de Computação, Weigle Luiz, “o software livre é uma política que ainda não pegou”. Os motivos seriam a falta de uma metodologia de implantação mais sistemática para todo o campus pela reitoria e falta de treinamentos e conscientização dos usuários em relação os benefícios do software livre.

A opinião dos estudantes

Para levantar se realmente há falta de conhecimento sobre o assunto, e se os estudantes estão satisfeitos, foi realizada uma enquete no laboratório da Biblioteca Central, que utiliza GNU Linux, um sistema operacional livre, em seus computadores.

Os entrevistados pela equipe de reportagem se mostraram insatisfeitos com o laboratório pois o consideram defasados tecnologicamente. Alguns se queixaram que já tiveram dificuldades em acessar dispositivos de armazenamento USB. .

Além disso, demonstraram ter pouco conhecimento a respeito das características do GNU Linux. Quatro entrevistados afirmaram que era um programa usado por ser gratuito, outro que seria utilizado por ser mais “leve”, e um último afirmou, logo após ter efetuado uma consulta na internet com o apoio desse programa que:

“o Linux é um programa de computador, mas não sei para que é utilizado”

O total desconhecimento a respeito das liberdades garantidas pelo uso do software livre comprova a ausência de treinamento e sensibilização. Os programas foram instalados e os estudantes tiveram que aprender a utilizar sozinhos.

As dificuldades

A falta de configuração e manutenção adequada

Em um teste feito pela equipe, em apenas uma das 4 máquinas testadas foi possível acessar facilmente um PenDrive USB. Com um trabalho de configuração prévia esse problema poderia ser corrigido sem maiores custos em todas as máquinas. Ao ser questionado, entretanto, o o diretor da ATI - Assessoria de Tecnologia da Informação - Mario Lemes Proença Jr., alegou que é da própria biblioteca a responsabilidade de administrar esses computadores.

A falta de treinamento e conscientização

Todos os profissionais e especialistas entrevistados concordam que, para o sucesso da implantação de programas de computador livres, é preciso mais investimento e a realização de um programa contínuo de treinamentos e campanhas que conscientizem o usuário dos benefícios que esse modelo pode proporcionar. O capacitação poderia romper a barreira inicial, a zona de conforto do costume com outros sistemas, e mostrar que é possível realizar as principais tarefas computacionais e obter vantagens com a economia de licenças de software também.

Ao ser questionado por telefone, o diretor da ATI - Assessoria de Tecnologia da Informação - Mario Lemes Proença Jr. concordou que não foram realizados os treinamentos necessários e que se requisitada a ATI disponibiliza todo material e apoio, porém, as decisões sobre a utilização de software na universidade são deixadas a cargo de cada departamento. Ele disse:

o que deveria ser gratuito acaba não sendo tão gratuito assim, pois esse treinamento tem um custo, e geralmente o custo é alto”

Mesmo assim, afirmou que seriam planejados treinamentos para suprir essa carência. Nos parece que, não se trata de impor aos departamentos quais softwares devem ser utilizados, mas de incentivar a opção por alternativas livres. Caberia a comunidade acadêmica, agora, se organizar e reivindicar as explicações e os treinamentos. E, em uma universidade pública com um curso de ciências da computação, parece que a alternativa para reduzir o custo dos treinamentos poderia estar, como sugere o técnico do departamento de computação, Weigle Luiz, em buscar parcerias com os acadêmicos e conceder certificados para os cursos e palestras ministrados por eles.

As conquistas

Estudantes, projetos de pesquisa e empresas que surgiram na Universidade Estadual de Londrina tem demonstrado que o Software Livre pode ser também um caso de sucesso.

Científicas

O mestrando em ciências da Computação pela Universidade Estadual de Londrina, Fabrício Ferracioli, é o atual mantenedor de um projeto, junto ao curso de Fisioterapia, que desenvolve uma ferramenta em software livre que permite o armazenamento e a consulta, via internet, de dados de exames clínicos. Ele explica que a opção pelo software livre se deu quando a utilização de um programa proprietário se tornou inviável técnica e economicamente.

Empresariais

Além disso, o conhecimento adquirido por Ferracioli nesse projeto e, ao longo da vida acadêmica, permitiu que ele iniciasse os trabalhos da UsoSim, incubada na INTUEL há mais de um ano. Atualmente, a empresa desenvolve um sistema que criará um sistema intuitivo e interativo de resolução de dúvidas. A empresa já conta com seis colaboradores fixos e um estagiário.

Outro caso de sucesso é a empresa Oniria. Ela esteve na INTUEL de 2002 até 2006 e atualmente, entre outras coisas, desenolve jogos e tem obtido resultados expressivos no mercado internacional. Além de ter um jogo relacionado entre os 10 mais vendidos para o público infanto-juvenil na Alemanha, atende grandes empresas como a Petrobras, Ecovia, Ford e Coca Cola. O responsável pelo setor de desenvolvimento de Softwares na Oniria que utiliza em seus computadores apenas ferramentas livres, Pedro Casagrande, é formado pela UEL e teve seus primeiros contatos com o software livre durante a faculdade. A empresa se firmou no mercado e já conta com 18 funcionários diretos e indiretos, entre contratados e estagiários.

Na reitoria

A ATI, responsável pelos sistemas da reitoria, apesar de não definir um programa contínuo de incentivo ao sofware livre na UEL toda, adotou com sucesso programas livres em quase todos os seus servidores de páginas da internet e sistemas internos. De de acordo com o Diretor, Mario Lemes Proença Jr., nos próximos anos todos os sistemas da reitoria serão rodados em Software Livre.

Nos três casos, a opção pelo software livre foi uma decisão técnica. Para Pedro Casagrande, é melhor desenvolver com essa tecnologia, e Rafael de Paula Herreira, da UsoSim, lembra fatores menores proporcionados pela utilização dessa tecnologia avançada, como o processo de aprendizagem, o fortalecimento de contatos e a visibilidade comercial que isso proporciona.


Veja também a opinião do especialista: Daniel S. Kaster.


Software Livre fora da Universidade

Nossa busca, nos levou a uma outra iniciativa semelhante, a experiência do IAPAR. Responsável pelo setor de Informática desse instituto há 21 anos, Welfrid Stencil, explicou que passou a adotar software livre há cerca de 6 anos, por incentivo do governo do estado. Todas as máquinas novas já estão sendo adquiridas com GNU Linux. Nos departamentos de pesquisa, porém, ele explicou que ainda é muito difícil a implantação pois os pesquisadores já possuem um muitos documentos salvos em formato legíveis apenas por programas antigos. São centenas de planilhas e textos que muitas vezes não são compatíveis com o OpenOffice (alternativa em Software Livre para aplicativos de escritório, como editores de texto e planilhas) ou até mesmo com versões mais recentes do conjunto Office da Microsoft. Além disso, há casos em que os pesquisadores encontram-se em “uma zona de conforto” e não se dispõe a aprender novos processos, alguns computadores com software livre chegaram a ter seus sistemas substituídos pelos próprios pesquisadores.


Um universo de possibilidades

Constatamos que em Londrina, essa opção é mais comum nas empresas de informática, ou em servidores de páginas da internet e sistemas especializados. Isso significa que há um grande nicho de mercado de software livre não explorado na cidade, e as perspectivas de crescimento e surgimento de novas empresas são grandes. Tendo em vista que, uma pequena empresa pode chegar a gastar até 20 mil reais na aquisição de licenças de uso programas de computador legalizados, o software livre pode ser uma alternativa atraente, principalmente em época de crise.

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*Obs: Essa matéria elaborada no primeiro semestre de 2009 na disciplina de jornalismo impresso.
*Créditos ao Lucas De Large que colaborou integralmente com produção da matéria.

A voz do especialista: Software Livre

Existem benefícios imediatos. Um dos principais promotores do uso de software livre na Universidade Estadual de Londrina é o professor,Daniel S. Kaster, que criou a lista de discussões “Red Foot” e atualmente é doutorando em Ciências da Computação pela Universidade de São Paulo. Ele explica que, além da liberdade, a grandes vantagens dessa tecnologia é a redução dos custos.

  • Os LIG´s

O exemplo disso, na universidade, são os LIG`s – Laboratórios de Informática da Graduação. Eles permitem a utilização de apenas um servidor potente, ao qual se conectam vários computadores simpless, os “terminais burros". Isso permite, a recuperação de computadores antigos. Um computador que era lento, se torna rápido pois se torna uma ferramenta de acesso ao servidor, onde está localizada a real capacidade de processamento. O custo final do laboratório cai, porque não é necessário ter várias máquinas caras, mas apenas uma. O trabalho administrativo ainda é simplificado, pois, os programas são instalados e configurados apenas uma vez no servidor. No sistema tradicional cada máquina teria que ser gerenciada separadamente.

Leia a matéria completa sobre o software livre na UEL clicando aqui.

O que é Software?

Para entender o que é software livre, é preciso saber o que é um software. Software nada mais é que um programa de computador. Todos nós já usamos ou nos beneficiamos do uso de algum sistema computacional e, de maneira geral, sabemos que eles são ferramentas criadas para automatizar tarefas, agilizar e facilitar nossas vidas.

  • A parte que você só pode xingar

Um professor bem humorado de informática explicaria que o software, quando ocorre um erro no sistema, é aquilo que você só pode xingar, e o hardware é aquilo que você também pode chutar. Esse último é, portanto, a parte física, a máquina composta por placas, fios e componentes eletrônicos. Já o programa de computador é como um livro de receitas, ou seja, ele é um documento que contém internamente um conjunto de procedimentos que permitem ao usuário obter certos resultados. Da mesma forma que uma pessoa, com prática em culinária e boas receitas, pode criar pratos deliciosos, o usuário que tiver um objetivo, os ingredientes adequados e souber interagir com os computadores e seus programas poderá tirar bom proveito dos sistemas computacionais.

Leia a matéria completa sobre o software livre na UEL clicando aqui.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Diagramação ? Livre !

Olá! Hoje vou inaugurar uma nova seção aqui no blog. A idéia é compartilhar as experiências que terei ao usar software livre para efetuar os trabalhos da disciplina de Diagramação no curso de Comunicação Social - Jornalismo - na UEL ( Universidade Estadual de Londrina ).

Porque optar por Software Livre?

Afinal, o Adobe InDesign é um programa que praticamente domina o mercado e os recursos disponibilizados por ele costumam facilitar muito a vida dos diagramadores.

Explico: o maior motivo reside em "Aprender a diagramar" e não apenas "aprender a usar o InDesign". Um bom profissional de diagramação deve conhecer a técnica e estar preparado para usar qualquer ferramenta ou até capacitado para propor ferramentas alternativas de acordo com o perfil da empresa/instituição em que irá trabalhar.

Em segundo lugar, seria muito cômodo adquirir por R$10 um InDesign pirata. Entretanto sabemos que o custo real do software, de acordo com o site Oficial da Adobe é: US $900.00. Isso mesmo. 900 dólares, ou cerca de 1591,65 reais ( cotado em 11/03/2010 com o dólar a 1.7685 ).

Como a universidade pública não me fornece essa ferramenta e eu não tenho R$1591 reais para gastar com um programa de computador, a única opção que restou foi procurar uma alternativa para não infringir as leis e nem me tornar escravo de uma única empresa. Pois na universidade é fácil, eu uso um programa pirata sem problemas. Mas amanhã eu estarei formado e se optar por abrir meu próprio jornal o que farei? Eu só sei trabalhar com o InDesign. Serei obrigado a comprá-lo? Ou seja, é como disse certa vez, se não me engano, o presidente da Linux Foundation John Maddog Hall sobre o Software Proprietário na universidade: é como droga, a primeira dose pode até ser gratuita, mas uma vez que os consumidores estiverem viciados o preço será cobrado, e não será barato.

Enfim. Embora nosso professor de diagramação, que é muito exigente ao passar até 4 trabalhos por semana, já tenha dito que seria bem mais difícil(ou impossível) cumprir a disciplina sem o InDesign. E fez inclusive os alunos assinarem um termo de responsabilidade em que concordavam continuar o curso mesmo sem laboratórios adequados. Decidí que o melhor, mais ético e viável é utilizar ferramentas livres.

Vou usar os programas:

Scribus - Software de Diagramação ( alternativa ao InDesign )
Gimp - Editor de imagens ( alternativa ao Photoshop )
Inkscape - Editor vetorial ( alternativa ao Corel )

segunda-feira, 1 de março de 2010

Há 104 anos: Mother Earth

Atualizado o Antiautoritário com informações sobre a revista "Mother Earth".

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Obs: já estou ficando com vergonha da situação desse blog rs.. em breve estarei de volta : )