sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Inside of Straight Edge



Finalmente concluí a legenda para esse documentário produzido pela National Geographic e narrado pelo vocalista da banda Sonic Youth: Thurston Moore.

Inside Straight Edge ( por dentro do Straight Edge) é um filme que procura explorar as várias facetas do movimento nos Estados Unidos. O Straight Edge defende o não consumo de qualquer tipo de drogas, como álcool ou tabaco. Nos Estados Unidos esse movimento também tem sido classificado como a mais nova gangue criminosa do país. Por isso o filme buscou responder a seguinte pergunta: Quão longe os Straight Edges estão dispostos a ir para defender seus princípios?


Você poderá baixar este filme em torrent pelo: Piratebay
E você poderá obter as legendas pelo: Open Subtitles

*Peço gentilmente para quem assistir que procure dar uma revisada e corrigir os possíveis erros na legenda pois não tive tempo para isso ainda.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A tortura como remédio..

Há sempre duas versões..
a oficial e a real.

A tortura e as ditaduras na América Latina foram justificadas como uma espécie de remédio para curar as doenças sociais de nosso povo, um tratamento de choque.
Essa linguagem, é claro, pertence ao mesmo construto intelectual que permitiu aos nazistas alegar que matando os elementos "doentes" da sociedade estavam curando o "corpo nacional". Conforme asserção do médico nazista Fritz Klein: "Quero preservar a vida. E por causa do respeito à vida humana, eu removeria o apêndice gangrenado de um corpo doente. Os judeus são o apêndice gangrenado no corpo da humanidade." O Khmer Vermelho usou essa mesma linguagem para justificar sua carnificina no Camboja: "O que está infectado deve ser cortado fora".

Crianças normais

Em nenhum outro lugar esses paralelos foram mais assustadores do que no tratamento dado pela junta militar às crianças, dentro de sua rede de centros de tortura. A Convenção das Nações Unidas sobre Genocídio declara que entre as práticas de genocídio condenadas se incluem aquela que "impõe medidas que visam a impedir os nascimentos dentro de um grupo" e a que "forçosamente transfere as crianças de um grupo para outro".

Um número estimado de cinco mil bebês nasceu dentro dos centros de tortura da Argentina, e todos eles foram imediatamento alistados no plano de reengenharia da sociedade e de crianção de uma nova linhagem de cidadãos-modelo. Após um breve período de cuidados, centenas de bebês foram vendidos ou dados para casais, muitos dos quais eram diretamente ligados à ditadura. As crianças foram educadas de acordo com os valores do capitalismo e da cristandade, considerados pela junta militar como "normais" e saudáveis, e jamais ficaram sabendo de sua origem, como declaram as Mães da Praça de Maio, que tem feito um trabalho cuidadoso na tentativa de seguir as pistas de dezenas dessas crianças. Os pais dos bebês, considerados muito doentes para serem salvos foram quase sempre assassinados nos campos prisionais. O roubo de bebês não foi resultado de excessos individuais, mas parte de uma operação organizada pelo Estado. Num dos casos levados a tribunal, um documento oficial do Departamento do Interior, datado de 1977, foi apresentado como evidência; era intitulado "Instruções sobre procedimentos a seguir com filhos menores e ativistas políticos ou sindicais quando seus pais forem presos ou desaparecerem".

Esse capítulo da história da Argentina tem algumas semelhanças assustadoras com o roubo de crianças indígenas nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália, onde elas foram mandadas para internatos, proibidas de falar sua língua nativa e submetidas a um "embranquecimento". Na Argentina dos anos 1970, uma lógica simular de superioridade estava claramente em curso, baseada não na raça, mas nas crenças políticas, na cultura e na classe.

...da mesma forma como outras conquistas capitalistas do passado foram construídas sobre os túmulos coletivos dos povos indígenas, o projeto da Escola de Chicago para a América Latina foi literalmente erguido sobre o segredo dos campos de tortura, nos quais milhares de pessoas que acreditavam num país diferente desapareceram.
A doutrina do Choque - Naomi Klein - Páginas 138 e 139

---------------

Esse trecho me lembrou muito o filme "A história oficial" de Hector Babenco que recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Recomendo que assistam:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Do impossível..

"Esta, eu acredito, é a nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las em evidência e acessíveis até que o politicamente impossível se torne politicamente possível"
-------

Exercício de subversão:
Descobri esta frase por acaso, ela foi baseada na original escrita por um velho economista e pensador norte americano de direita e extremamente liberal muito famoso e influente: Milton Fried
dman. Aplicada em um novo contexto e trocando o termo "inevitável" por "possível" passa de liberal para uma expressão muito libertária, em minha humilde opinião. : )

A frase original pode ser encontrada na orelha do livro: A doutrina do choque, da Naomi Klein

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nós dois no quarto..

Nós dois no quarto: meu cachorro e eu. Lá fora a temperatura uiva, desenfreada, assustadora.

O cachorro está sentado em minha frente - e me olha direto nos olhos.

Eu também olho para os olhos dele.

Parece que quer me dizer alguma coisa. É mudo, sem fala, nem entende a si mesmo - mas eu o entendo.

Entendo que neste instante, nele e em mim, vive o mesmo sentimento e entre nós não existe a menor diferença. Somos idênticos; em cada um, arde e brilha a mesma chama, pequena e trêmula.

A morte virá voando, vai abanar sobre essa chama suas asas frias e largas..

E fim!

Depois, quem poderá distinguir que chama ardeu em cada um de nós?

Não! Não são um animal e um homem que se olham..

São dois pares de olhos idênticos, concentrados um no outro.

E em cada par de olhos, no animal e no homem, a vida assustada tenta se agarrar no outro.

-----------

Via Folha de São Paulo, em um domingo qualquer (23/05/2010)
Texto de Ivan Turguêniev
Tradução de Rubens Figueredo
Ilustração de Marina Rheingants

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os estatutos do homem

(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Santiago do Chile, abril de 1964.

-----------

Thiago de Mello - Faz Escuro mas eu Canto, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro..

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Massa de Pizza Vegan

Foto feia, mas é só pra mostrar como ficou fininha e poderosa

Mais uma receitinha da tia Cleuza! : )

Ingredientes:
  • 1 tablete de fermento fresco (15 gramas)

  • 1 copo de água morna
  • 1/2 colher de sal e 1 colher de açúcar
  • 2 colheres de óleo
  • 1 colher de creme vegetal
  • 2 xícaras de farinha de trigo (pode ser integral, ou misturar tradicional e integral)
  • 1 colher de fermento químico
Modo de preparo:

Dissolva 1/2 colher de sal, 1 colher de açúcar e o fermento fresco na água morna. Deixe descansar por 10 minutos. Em um recipiente misture a farinha, o óleo, o creme vegetal e o fermento químico. Adicione o fermento fresco dissolvido. Misture até soltar do fundo do recipiente. Para dar o ponto pode adicionar farinha caso necessário. Faça uma bola com a massa e deixe descansar de 40 minutos até 1 hora. Aí é só abrir a massa, pode deixar descansar ela aberta por mais uns minutos e já está pronta para assar : )

Rendimento: 2 pizzas grandes

Foto da massa ainda não assada e com uma cobertura bem pobre, mas é o que tinha aqui rs...

sábado, 13 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

A espera..


------------

Este Stencil fiz inspirado por uma fotografia que tirei com o celular no centro de Londrina. Para quem interessar, a fotografia está no Picasa.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Faz muito sentido..


nascer para não ter vida
caminhar para não sair do lugar
voar para não sair do chão
alegrar-se por estar deprimido
respirar para não falar
falar para não dizer
libertar para ser reprimido
calar para ouvir o silêncio
onde silêncio não há

terça-feira, 19 de outubro de 2010

La haine


--------

Esta foi inspirada no filme La Haine e nas fotografias do francês Denis Darzacq. Para saber mais, veja esta postagem: O ódio

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

35


-------------

Uma das coisas que mais me agrada e relaxa hoje em dia é produzir camistas com Stencil. Espero que essa seja a primeira de uma série, a idéia é fazer artes mais toscas e instrospectivas. Ela recebeu o título de 35 pois foi inspirada em um conto do Mário de Andrade em que o 35 abandona o trabalho e sai a procura de um protesto no dia 1º de Maio, mas como não encontra nada que o motive a participar acaba voltando à labuta. Ah, e outra inspiração foi o documentário Hype! Sobre a história daquilo que se denominou Grunge, muito bom, recomendo.
----
Ops, graças ao comentário acabei encontrando o site da fotografia. Após tomar estas referências acima, encontrei uma foto do Sartre aqui e desenvolvi esse stencil a partir dela. Aí vai a foto. : D

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Contradições Cotidianas {Tom: F}

Quando eles dizem
Que o progresso e a modernidade
Estão melhorando o mundo,
É só para o seu bem
Para que você se sinta bem
E leve a vida com tranquilidade
E quando eles dizem que vivemos em paz
É mentira.. é!
É mentira também

Que paz é essa .. ?
Que paz é essa que se arma para a guerra?

Guerras de fome são toleradas
Guerras civis ignoradas
Pelos poderosos amenizadas
Com cenas de apelo emocional
Elas disfarçam o caos urbano
Que existe apenas no mundo real

Que paz é essa .. ?
Que paz é essa que se arma para a guerra?

Quando os grandes problemas aparecem
Grandes escandalos também florescem
Coincidência repetitiva
É essa ilusão - ilógica - abusiva
Eles nem se preocupam e dizem
Que é pra você sentir-se bem
E digo agora eu para alguém
É mentira.. é!
É Mentira também..

Que paz é essa .. ?
Que paz é essa que se arma pra guerra?

-------------

Essa é uma das últimas velharias que eu tinha para postar, pelo que me lembro foi a primeira canção que eu escrevi e a galera da Captania musicou. Foi muito engraçado quando eu contei que a frase usada no refrão: "Que paz é essa que se arma para a guerra?" tinha sido copiada de um trecho de uma música gospel, não me lembro de qual banda. Nada haver comigo que já na épora era ateu mas, sinceridade, essas coisas acontecem rs.. Em todo processo de criação há uma inestimável dose de cópia e transformação. Mas até hoje gosto muito dessa letrinha aí, bem significativa para aquela fase da vida.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Insanidade imunda

"Então aff sei lá hj tava conversando com um amigo e vi que realmente hj a cena gótica está impregnada da herança dos trevosos. hj se discute mais sobre a banda q é melhor do que como o cara ve o mundo, sobre a própria vida e sobre o que acontece no mundo. É mais importante a cueca de determinado vocalista em determinado show do que como fazer para que essa cidade saia do limbo, tipo temos uma cidade dividida em duas partes os muito ricos que moram em condomínios fechados perto do igapó ou atrás do shopping e os pobres no cinco conjuntos. Aff vc vai em uma festa onde que o assunto mais importante é que fulano morreu, outra ta gravida, outro passou no camargo ou programas desse tipo. Aff sinto nojo dessa situação, sinto nojo de pessoas que veem no gótico desculpa para dizerem q são mal amados que a vida deles é uma droga pq eles queriam ter comprado aquele celular. Das pessoas que vivem em suas casas trancadas com seus computadores que nunca sequer irão curtir um final de tarde. Isso não é ser gótico é só ser um rockeiro que ouve música gótica ser gótico é baseado na visão de mundo que vc carrega. O que vc ve no mundo e na sociedade que vc não concorda e fará o seu melhor para não ser/fazer igual."

"Isso é uma subcultura/contracultura."

"É fazer o que a cultura e a sociedade oficial não faz."

"Pq senão são mais um na multidão, mais uma maquina sem sentimentos que só serve para trabalhar estudar dormir e cumprir regras."


------------------


Esse texto foi postado por Mikael na Comunidade do orkut Underground Londrina. Acho que sem querer o autor acabou cutucando muito mais do que a cena underground da cidade, mas a forma de ver e agir de muitas pessoas em nossos dias. Recomendo a leitura. A proposta: fugir um pouco dos autores consagrados ou intelectuais reconhecidos e olhar para o nosso umbigo..

Ingressos para o Demosul já estão a venda!

Os ingressos para os shows do Palco Alona (15, 16 e 17 de outubro) e Palco Hotel Sumatra (20 de outubro), já estão a venda. Para os shows do Grêmio os ingressos começam a ser vendidos a partir da próxima quarta-feira.

Postos de Venda
Sonkey - R. Souza Naves, 09 - Centro
MT3 Skate Shop - R. Piaui, 877 - Centro
Up Time Inglês - R. Paranaguá, 688 - Centro

Palco Alona - (Av. Leste oeste, 518)
R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia-entrada

Dia 15/10 – sexta-feira

Horário: a partir das 23h
Pata de Elefante (RS)
Búfalos D'água
Camarones Orquestra Guitarristica (RN)

Dia 16/10 – sábado
Horário: a partir das 23h
Vendo 147 (BA)
Sick Sick Sinners (PR)
The Silver Shine (UNG)

Dia 17/10 – domingo
Horário: a partir das 19h
Sugar Kane (PR)
Test Drive
Brazilian Cajuns Southern Rebels

Palco Sumatra - Hotel Sumatra (Rua Souza Naves, 803)
R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 meia-entrada
Dia 20/10 - quarta-feira
Horário: a partir das 21h
Mombojó (PE) Mitch & Mitch (POLÔNIA)

*Não haverá venda de ingresso meia-entrada nos locais dos shows.
(Obrigatório apresentação de RG e carteirinha de estudante na entrada dos shows)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mousse de Amendoim Vegan


Ingredientes:
  • 1 Litro de leite de soja

  • 3 Colheres “bem cheias” de amido de milho ( maizena )

  • 6 Colheres de açúcar

  • 250 Gramas de amendoim


Modo de preparo:

Colocar os amendoins em uma forma metálica no forno até torrar. Retire do forno, deixe esfriar e retire as cascas. Aos poucos vá batendo o amendoim no Liquidificador para triturar ( cuidando para não virar pó muito fino ). Reserve isso em uma tigela.

Em uma panela coloque o leite de soja e dissolva gradualmente o amido de milho. Adicione também o açúcar ( experimentando para ver se está doce o suficiente ). Leve ao fogo e mexa até dar o ponto de mingau. Acrescente o amendoim triturado e mexa mais um pouco.

Pronto! É só colocar em um recipiente adequado, ou várias tacinhas, deixe esfriar e leve à geladeira. Está pronto para comer.


Dica da vovó:
  • Se preferir substitua o amido de milho e o açúcar por duas caixinhas de pudim de baunilha ou de outro sabor de sua preferência. ( Assim é um pouco mais caro, porém bem mais fácil de acertar o sabor ).

Ser "

Não consigo mais dormir
Pois no amanhã é tudo o que penso,
E o hoje é só o que vivo,
Eu não me entendo mais.

Eu planejo atos
Que nunca se cumprem,
Vejo cenas que se repetem,
Sempre tão desiguais,
Deve ser por isso que existem
As classes sociais
A, B, C, D e Miserável também

Vivo num país onde a ordem
Revela a desordem
Figuras de linguagem,
Políticos de imagem
Imagens rebuscadas
Confianças trincadas,
Mentes revoltadas,
Multidões enganadas,
Mas quem é que se preocupa?

Afinal,
Nós temos futebol
E carnaval!

Aprendemos com os erros,
Mas a errar continuamos,
E isso nos transforma em seres humanos,
Não somos o erro de todo o gênesis,
E sim cegos opcionais,
Pois podemos ver
Mas gostamos do escuro
Pois ele sim, ele é mais seguro

Afinal,
Nós temos futebol
E carnaval!

Desde o berço capitalistas,
De torcidas.. nacionalistas
Decoramos o hino, e mesmo sem saber
Seu significado,
Isso nos basta,
Pois o que importa
É o que pensam de nós
E não quem somos na realidade
E não o que somos de verdade

Mais in Real
Nós temos futebol
E carnaval!

Não precisamos conhecer o prato,
O que queremos é matar a fome,
E tudo, tudo isso nos basta,
Não precisamos nem digerir,
Está tudo alí, já mastigado,
Mesmo errado, isso nos basta!
Está errado, isso nos basta!
Pos é assim que deve ser,
Não não me pergunte o por quê..
O que nos basta?
Se disserem que é bom e também usarem
Nós vamos aderir, pois vemos na tv

E sem no começo, meio e final
Nós temos futebol
E carnaval..

Nossa razão é a rotina de tudo
Pra nós emoção é novela e o som do surdo,
E é claro, a eles tudo basta,
E para mim, isso basta?
Você pasta, o que lhe basta?

Alienação existencial
Viver vida vida vegetal
Automatismo inconsciente
Sobre vivência deficiente
Isso é o que lhe resta
Será que isso presta?

Pensar questionar,
viver slecionar
viver para pensar
e não para morrer

-----------

rs.. mais uma velharia, tem coisas aí que eu jamais escreveria nos dias de hoje.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os tempos mudam, e nós ?

Eu que ouvia os profetas
E discutia religião
Hoje escuto FM
E assito televisão

Muito tempo já passou
Muita água já rolou
Mas nós ainda estamos neste antigo regime
Um crime!!

Sociedade estamental
Já se foi será que é mal?
Com o globalitarismo
Esse abismo só aumenta
Atormenta!!

Consumir já virou lei
Nós criamos nossos reis
E eles criam a indústria de massa
Nefasta!!

A falsa democracia e a tvligião
Defendem e prometem que devemos escolher
E cumprem a promessa com só uma opção
Só uma?
Nenhuma!

Uma
Nem uma
Durma
Nenhuma
Apenas durma

----------------

Esse é mais um dos textos que escreví há muito tempo, guardei por qualquer motivo estranho, e agora estou arquivando por aqui.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A resposta do Conselho Nacional de Justiça

Tentando explicar o que,
no meu ponto de vista,
não tem explicação.
Vejam e tirem suas conclusões:




De: nao-responda@cnj.jus.br
Assunto: Ouvidoria - CNJ
Data: Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010, 9:04

Registro Ouvidoria/CNJ: 18826
Ao Senhor

Lucas ...

A campanha em questão não tem qualquer conotação racista. A composição, com tons de cinza e roxo, tem única conotação de mostrar o lado sombrio que pode vir a existir da vida do regresso do sistema penitenciário, caso não consiga ser reinserido na sociedade com um emprego.



Obrigado pela participação.



Tarso Rocha
cnj
Conselho Nacional de Justiça
Ouvidoria
Anexo I - Supremo Tribunal Federal, Praça dos Três Poderes, S/N - Brasília (DF) - 70175-900


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Soneto ser, ou, À inocência

É difícil ser um ser pensante,
Pensante e incompreensível,
Além de auto-destrutível,
E eu quero que você cante
...
Não é fácil ser ser humano
Muitas vezes irreconhecível
Por outras tantas impassível
É difícil ser um ser mundano
...
Não é legal um dia ter que pensar
E nada ter para concluir
É muito chato poder amar
...
E não ter com quem dividir
Levar a vida para cultivar
Sem saber se no fim vai curtir
...
Tudo que precisamos fazer
É viver, viver com competência
Utilizando a inteligência
Para criar seu próprio lazer
...
E proliferar ambientes de paz
Se preocupando em gozar na infância
Pois o bom é ser, ter eterna clemência
Sorrir para sempre, que mal isso faz
...
Se não for possível vamos nos esforçar
Para certo vamos com toda bravura
E nunca desistir antes de terminar
...
Pois eu prefiro por mais a loucura
Do que respeito, medo em todo lugar
Tudo que eu quero é felicidade pura
...

Pura debilidade
Felicidade pura
Cura toda a maldade
Até mesmo amargura

---------

recuperando mais uma página amarelada..

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O problema com a bebida..



"Esse é o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia um trago. Se ocorre algo mal, bebe para esquecer. Se há algo bom, bebe para celebrar e, no tédio, bebe para que algo aconteça"
Charles Bukowski


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mais superfície

Passar alguns minutos sem franzir a fronte
Olhares no horizonte pra assistir os passos
Sim este mundo também pode girar sem pressa
Para ver os nossos dias nos olhos de neanderthais

Somando as diferenças, algumas semelhanças
Vejo tantas pessoas, ouço tantas vozes, são muitas memórias
As várias expressões compondo tantas histórias
Ah! Se eu pudesse ser um Deus pra conhecê-las, para entendê-las

Você vai ao teatro eu olho os atores na calçada
Assiste ao cinema eu abro os olhos e vejo as cenas
Frequenta festivais eu ouço melodias disformes

Eu amo as ruas dos centros das cidades nuas
As filas, os pontos de ônibus, os transportes coletivos
Esses conjuntos de imagens, sensações e ruídos

Com sol a pino, o carro passa, o vento fica
Gota a gota o suor na testa de um senhor
A cada uma um sentimento de louvor
Por esses artistas incondicionais

Várias núvens, tantos vícios, tantos clones
Sábios senhores e jovens poetas,
Muitas tempestades e chuvas refrescantes
Quem sabe um dia estarão unidas por um céu

Em meio a fusão das epicores
Apreensão, apertos de mão, sorrisos,
Pequenos furtos, de idéias, mensagens, simpatia

Eu amo as ruas dos centros das cidades cruas
Os parques, as praças, as bibliotecas públicas
Essas desordens que confundem meus sentidos

-------

Tirei o pó. Mais uma da série velharias .

domingo, 5 de setembro de 2010

Alheio ao ... está Tu? EstoU.

Dizem que o livro, o paraíso, está lá em cima
Mas vou lançar mão de todas as armas
Para permanecer perenemente aqui
Na vida, na história, na memória
De uma grande mulher, de uma família
Um país, o mundo ou o meu cachorro
Seja o que for, eu não vou! ...

Não basta só fechar os olhos
Não resolve relaxar o corpo e fingir
Esperando o sono vir e te pegar
O sonho virá, e não irá se cumprir
Enquanto você não despertar

Agora acorde!
Aponte a face para a frente de batalha!
Tome fôlego, você não é mais forte
Mas tem a capacidade de brigar
Dessarte, realizar

Agora lute!
E não desista até estar com a mortalha!
Porque de qualquer forma esse dia virá
E se não batalhou se arrependerá
Vai partir só e sabendo que poderia ganhar

Agora vibre!
Não convém dizer o que você trouxe da luta
Se voltou com a alegria da vitória: já é um herói
Deve reconhecer os passos do inimigo
Para sentir orgulho de tê-lo vencido

Agora vibre!
Não convém dizer o que você trouxe da luta
Se sobrou a amargura da derrota: deve reconhecer
E será um herói
Um mártir da coragem, veterano do saber
Porque a cada tropeço, o importante é aprender

-----------------------

Desenterro mais uma "velharia". Poesia em blog penso que é sempre algo para ninguém ler mas, ao menos, deixo arquivado aqui. Não lembro o ano mas eu devia ter entre 13 e 17 anos. é isso? sei lá rs... Na época, em Cascavel, uns amigos (Diogo no baixo, Ronaldo Guino na guitarra, "Miolo" no teclado e o outro Lucas na bateria) tinham uma banda de rock chamada Capitania, estilo anos 80 de influências como Engenheiros do Hawaii, Titãs, Legião, Paralâmas, Aborto elétrico e coisas do tipo. E daqui de Londrina eu lhes enviava algumas letras ou viagens do tipo, embora a maioria talvez agente acabava criando coletivamente. Chegaram até a musicar algumas e sempre foi muito divertida essa relação e a perspectiva de produzir sempre algo para dar vazão as nossas inquietações.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A idéia


Transformaram a idéia, e o conhecimento, em uma mercadoria e agora tentam vendê-los. Esqueceram-se apenas de um detalhe. Uma idéia, e o conhecimento, não se põe na lata, não nascem sozinhos e nem se produzem em laboratórios exclusivamente mecanizados. As idéias são livres e o conhecimento também, só assim podem existir. Sua difusão, apropriação, reapropriação, transformação são processos que não se pode deter.

-----------

Essa postagem foi inspirada pela questão do xérox no blog: CACH - Unicamp

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu sei o que você fez no verão passado..

Requião!

Mais uma velharia que achei e vou desenterrar aqui. Essa é apenas a transcrição de um panfleto que tenho impresso e, pelo que consta, foi publicado no dia 27/09/2005 na UNIOESTE - Universidade Estadual Oeste do Paraná. Eu participei desse ato que relata o panfleto e, por mais absurdo que pareça ser, sou testemunha que tudo realmente ocorreu:

DCE – UNIOESTE INFORMA:

Estudantes e trabalhadores em defesa da Universidade Pública!

Cerca de 1000 estudantes e trabalhadores estiveram em Curitiba, na última quarta-feira dia 21 de setembro de 2005, lutando contra os corruptos e os corruptores, contra a política econômica adotada pelo governo federal e contra as reformas neoliberais defendidas e implementadas pelos governos federal e estadual. Especificamente estiveram lutando contra esse direcionamento político que enxuga cada vez mais nossos direitos e os serviços públicos para suprir os grandes capitalistas e pagar da dívida externa aos imperialistas. Participaram do ato, trabalhadores e estudantes, das universidades: UEL, UEM, UEPG, UNICENTRO, UNIOESTE e UFPR.

Requião OFENDE os manifestantes e põe população em risco!

Após um arrastão pelas salas da UFPR os participantes concentraram-se na praça S. Andrade e, em seguida, marcharam para o palácio do Iguaçu. Durante esse trajeto, além da animação dos manifestantes, destacamos o apoio da população com chuva de papel picados e buzinaços. Ao chegar no Palácio do Iguaçu o carro de som foi posicionado e iniciou-se a fala das entidades participantes para finalizar o ato, porém, para surpresa de todos Requião saiu de seu palácio para “conversar” com um grupo de famílias rurais que o aguardava. Surpresos com a presença do governador, e extremamente indignados, todos protestavam e ele respondia com mentiras e ofensas, desfilando mais uma vez seu infeliz veneno, e tentando jogar ainda os trabalhadores rurais contra os demais ao dizer: “E agora vocês que são trabalhadores de verdade com as mãos calejadas vamos fazer um acordo: expulsem esses baderneiros com a força de suas bandeiras”*, por sorte o jogo sujo do governador não funcionou e apesar da pequena confusão, que pôs em risco os presentes, os trabalhadores rurais cederam espaço para a luta em defesa do Ensino Superior, obrigando Requião, covardemente, a se trancar em seu palácio, ouvindo os manifestantes que gritavam “Facista! Facista!”, sem explicar o porquê dessa repulsa à educação.

O DCE repudia veementemente esse governo porque além de manter a opção política de PRIVATIZAR a UNIVERSIDADE PÚBLICA e investir nas privadas, opção que no Governo Lerner foi responsável pela greve de 6 meses, ainda se orgulha de sua ignorância ao se referir aos estudantes e trabalhadores que lutavam pelos seus direitos dessa forma, veja o que Requião pensa sobre a Universidade Pública:

“Esses palhaços com narizes de palhaços engulam seus apitos”

“Esses vagabundos não valem o que comem” - Baseado em que o governador atribui valores?

“Quem usa óculos escuros não é homem”

“Filhinhos de papai que nunca trabalharam” - Não trabalhamos? Não será ele o maior filhinho de papai dessa história?

“O leite desenvolve os Neurônios” - Tentando justificar a ausência de investimentos na universidade pública com um programa assistencialista de distribuição de leite nas escolas primárias, como se uma coisa resolvesse a outra.

“Moleques desinformados” - Depois das falas acima fica óbvio quem está desinformado.

Você sabia?:

• O Estado do Paraná investe 40 x mais na clínica de Fisio da Fag do que na da UNIOESTE.

• Nos últimos anos a arrecadação do Paraná triplicou mas os investimentos em educação superior pública caíram 48%.


* Todos os trabalhadores rurais seguravam bandeiras do Estado do Paraná e bonés com a cor do estado.

domingo, 15 de agosto de 2010

Agora é quando?

É muito difícil escrever, falar, ou inclusive pensar em política nestes dias sem se referir aos anos do golpe militar e suas consequências. E isso porque, gostemos ou não, são parte de nossa história. Uma história da qual não participamos, mas, sentimos o peso. Porque é a história de uma derrota. E, ainda que preferíssemos não ser produto dela, estamos marcados. Porque a nós restou carregar as consequências a longo prazo: repressão cotidiana, uma cadeia de opressão subentendida e silenciosamente praticada e a ditadura do mercado, na qual só temos um direito universal e básico: sobreviver para produzir nossa sobrevivência. A liberdade não tem valor, foi trocada pela “ordem” e o “progresso”. Não vivemos a derrocada da utopia, mas, no ar que respiramos os sonhos são atributos de “jovens e tolos” e os “adultos responsáveis” se ocupam com suas contas e seus mecanismos para conquistar um lugar ao sol, ainda que ele implique na escuridão alheia.

Nosso desejo de criar um mundo melhor, entretanto, não morreu.

Pouco importam discussões insolucionáveis. Tampouco nos interessa desvendar se esses, que hoje pensam e agem de forma tão diversa do que pregavam, mudaram por convicção, maturidade, covardia ou oportunismo. Essas discussões nos deixam ancorados e nos impedem de construir o que necessitamos com mais urgência: Compreender a realidade, porque é tão perversa, porque nos condena à infelicidade ou, ao menos, a uma vida incompleta e instável.

Consideremos também a escala planetária. Vimos aflorar projetos antiopressores ( guerras de libertação nacional, revoluções armadas, democráticas, etc.) para no fim sintonizarmos novas mazelas. Por isso não nos enganemos mais, a luta deve ser global e aprender lições com o passado.

Me encanta pensar que não precisamos mais sentar na fila de espera, não precisamos aguardar a chamada, limitar nossa existência à esperança, nostalgia, a promessas e programas salvadores. O que me anima é acreditar que somos os protagonistas! De uma busca nova, diversa, participativa e criativa. Que nossa casa, bairro, trabalho e escola é o nosso campo de ação, que nossos únicos amigos somos nós mesmos, que nossas mãos estão atadas pelo apoio mútuo, que podemos construir um futuro diferente. Não mais esperar que nos digam quando é a hora.

Agora é quando?

----------------------

Mais um dos meus velhos textos que estou recuperando. Esse escrito no dia 03/09/2005, pelo que consta aqui. Provavelmente inspirado em algo que eu deveria estar lendo na época.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Exodus - Daara J



Nós somos milhares
A deixar nossos países em busca da terra prometida
Eles são milhões a deixar seus países
Em busca do Eldorado Nyabinghi (termo da cultura Rasta com vários significados)
(bis)

Refrão

Para todos os brothers que estão no êxodo
Para todas as irmãs que estão no êxodo
Exodus
Para todos os clandestinos, todos os Bana Bana (mercadores ambulantes)
Que procuram o Eldorado na Américana
Exodus

Exilado, é preciso que eu vá em direção ao meu destino
A sorte é meu caminho, meu futuro nas mãos
Deixei pra trás minha família, minha pátria
Tudo o que eu amo, enfrentar a vida
Para um amanhã melhor

Eles foram para os países distantes
Partiram pelo mar para além das fronteiras
Para o Hexágono (A França), Ultramar (colônias francesas) ou Dom-Tom
(territórios franceses)
Pelas ruas da Babilônia
Bençãos

Eles se esforçaram, suaram, fizeram tantas preces
Sonhos realizados, eles retornarão com orgulho ao solo natal
A terra do amor, a terra do amor
Exodus

Adeus família e terra, oh amigos e irmãos, oh família e terra
Eu retornarei com os bolsos cheios de ouro
Eu os farei aproveitar aos sabores do horizonte
(bis)

Exodus

(agora em Wolof, lingua mais falada no Senegal)

Dem na niou dem, ña ngay dem
Bayiko tefess
Diégui Diégui meuneu noot
Si tangay ak nakarr gui samp sen khol ba mou né mess
Ña ngay dem ganaw yakar
Bokk yakkar Bayiko Souf mbokkou sopey

Niou ngi gadday bayiko thia fééés
Nakar la niou beug mou né méés
Kholou dokhandem ma ngi féés
Bayi souf ak mbokk né méés

Yénéne saay khél ak khol toukki yoni demb
Niou dioya dioy [....]niana niane
Thi ay biss méttit dieulé wone na len fa
Térré woul fa niou téér, diam térou na len fa

Exodus, Povo Africano!

----------

Um obrigado especial a Fran Favero que fez a tradução da letra Exodus do Daara J "sem muita reflexão" e compartilhou! : )

domingo, 8 de agosto de 2010

A maior riqueza do homem é a sua incompletude

"Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.


Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."

Manoel de Barros

sábado, 7 de agosto de 2010

Marchemos..



Frente ao domínio e a exclusão, união e resistência é condição necessária à existência. Mas seguimos isolados e sem rumo. Na destruição, o que adianta marchar de cabeça erguida?



domingo, 1 de agosto de 2010

Aprendi!

A vida é um jogo e comunicar é apenas mais uma possibilidade de perder.. Errados erramos erros recorrentes e caros. Triste é descobrir que ferimos, magoamos e na vitória também fracassamos. Mas agora já é tarde de mais. Tarde de mais! Para aprender; voltar atrás; ou apenas se arrepender. Respirar fundo, comédia boa, recobrar a certeza da marcha sem sentido. Novos tsunamis errantes se abrem gloriosos. O dia que acertamos pelo esforço libertário ou estudo solitário, desnudando uma ingenuidade calorosa e aparente, nos traem, podam, educam e corrigem. Desiludidos, covardes, o fim, escolhemos entre o fraco e o fácil, pobres ou ricos, amantes ou amados, deficiência crônica ou eficiência atômica. Somos cegos produtos e produtores da destruição alheios a realidade com rotinas que constróem castelos de ilusão tão altos quando a distância entre a perfeição e a dominação, tetos sem chão, palavras sem ação, universos paralelos em um mesmo plano.. Não somamos nada, somos ninguém.

--------------

Sabe aquelas coisas que agente escreve em momentos estranhos e depois esquece em um canto qualquer, coleções de velharias por algum motivo estimadas. Nem utilizamos, nem jogamos fora. Então, resolvi publicar algumas que encontrei.. Espero que não se ofendam, essa aí de cima é de julho de 2009, pelo que consta aqui. Vale ressaltar que tudo isso é poesia, é cotidiano. E mesmo assim, com todo o peso que, as vezes, me serra a alma, ainda acredito em dias melhores.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Paçoca Vegan fácil de fazer


Ingredientes

  • 1 pacote de amendoin (500 gramas)
  • 1 pacote de bolacha maizena
  • 1 lata de leite condensado de soja ( ou uma e meia )
  • Opcional: 1 colher de creme vegetal (margarina)

Preparação

Primeiro torre o amendoin no forno ( não deixe queimar pois se quimar irá estragar o gosto do doce). Em seguida tire as cascas, isso dá um pouco de trabalho, poderá ser feito mais facilmente com um pano ou algo assim.. Depois bata os amendoins torrados e sem casca no liquidificador para obter pequenos grãos. Separe. Agora, bata também as bolachas no liquidificador. Em uma bacia, misturar o amendoin e a bolacha maizena triturados. Se desejar coloque uma colher de creme vegetal(margarina) e por fim uma lata de leite condensado de soja ( para a massa ficar mais consistente pode-se colocar um pouco mais que uma lata, usamos uma e meia mais ou menos ). Com a massa pronta despejar em um refratário ou forma, pressionar bem com uma colher ou com as mãos essa massa no fundo do recipiente para a paçoca sair certinha ao cortar, ficando bem compacta e não desmanchando na mão. Aí se possível cubra com uma papel plástico e coloque na geladeira por algumas horas.

Aí está pronto e muito gostoso!

Acho que, tirando a parte de tirar a casca do amendoin essa é a receita mais fácil que já postei no blog. Eu não inventei isso, a dica foi da minha querida mãe!!! : D

Aprovadíssima a receita! Aproveitem! : )

domingo, 18 de julho de 2010

Las semillas sangrando ( Canto a la tierra )

Uma amiga do Chile, Lorena Lopez, me enviou essa poesia e resolvi compartilhar também. Bem humanista e cheia de esperança:



Las semillas sangrando

( Canto a la tierra)


Cubierta de dolor,
crece la inocencia, por toda región..
las semillas sangrando
asoman , apenas sus años,
escapando del terror.

La tierra llora ...
desolada, decepcionada...
cuan vil es el ser¡¡¡¡
que asesina a un niño,
en el suelo del futuro...
cuanto egoísmo¡¡¡¡¡
delirante poder.

El temor..
compañero de su madre y de su cuna,
creciendo entre un juego y una ametralladora,
pasitos pequeños, corriendo de miedo¡¡¡
manos abandonadas,
por un mísero imperio.
Como no ha de llorar la tierra,
si algunos seres humanos,
matan a sus semejantes
esclavizan los pueblos,
destierran su sangre,
han impedido las rosas en nuestro suelo.

Abortan los sueños
de los niños naciendo,
la ironía del dinero
que cubre el alimento,
mas nos llena de tormento
cuando las armas crecen y aumentan
apuntando esos cuerpos,
aniquilando los juegos...
como no ha de sangrar la tierra¡¡?
si ve mutiladas sus semillas.

Vestida de humana,
a llegado la injusticia
mas, la delata
esa mirada oscura,
esas determinaciones poco claras,
defendiendo culpables,
quemando las verdades.
La tierra no lo perdonará¡¡¡
nuestra madre dejara de llorar,
los hermanos menores crecerán ,
la injusticia perecerá,
el sol sanará sus rayos
y las bombas explotaran la paz.

Ese día llegara....
mi niño lindo no arrancara más¡¡¡
los compañeros nos defenderán
nuestras vidas serán fusiles
nuestro coraje invencible....
nuestro cuerpo el escudo,
que fecundara tu futuro.

Ese día....mi niño,
nunca más morirás.

Paz Zulema.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Matérias: Radiojornalismo

Abaixo mais duas matérias que fiz para a disciplina de radiojornalismo. O áudio foi gravado em um celular e a edição foi feita no Audacity.

01/06/2010 - 2 minutos
Ficha Limpa poderá ser aprovada ainda esse ano

Entrevistados:
Josinaldo da Silva Veiga : Advogado e membro da comissão de direitos humanos da OAB
Estudantes: Eduardo Borges, Eduardo Ferrara e Mariana Pampa.
E Marilene Matias, Dona de Casa.

Trilha sonora: Bezerra da Silva - Candidato Caô


30/06/2010 - 3 minutos
Fim da campanha de vacinação contra a Gripe A H1N1 em Londrina


Pauteiro: Yuri Bobeck

Música no início e final: Ana Cañas: Vacina na veia. Confiram o clipe oficial no Youtube.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Revoluções..


"Os vulcões arrojam pedras, as revoluções, homens. Espalham-se famílias a grandes distãncias, deslocam-se os destinos, separam-se os grupos dispersos às migalhas; cai gente das nuvens, uns na Alemanha, outros na Inglaterra, outros na América. Pasmam os naturais dos países. Donde vêm estes desconhecidos? Foi aquele Vesúvio, que fumega além, que os expulsou de si. Dão-se nomes a esses aerólitos, a esses indivíduos expulsos e perdidos, a esses eliminados da sorte: chamam-nos emigrados, refugiados, aventureiros"

Victor Hugo, Os trabalhadores do mar.

---------

Esse trecho precede a obra: "Nem pátria, Nem Patrão: Vida operária e cultura anarquista no Brasil" do Trotskista Francisco Foot Hardman que comecei a ler hoje. A imagem acima é do filme: "Germinal" de Claude Berri, adaptado do romance naturalista de Emile Zola. E acho mesmo que o trecho acima caiu como uma luva para pensarmos o início do século XX, período citado no livro e que estou estudando.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Valores humanos em nosso século..

Quino, cartunista argentino autor da “Mafalda”,
Desiludido com o rumo deste século no que diz respeito aos valores humanos:

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Escuta, Zé Ninguém!



"Eu conheço a facilidade com que diagnosticas de locura toda a verdade que te desagrada, Zé Ninguém. E como te consideras o espécime acabado do Homo normalis. Duma maneira ou de outra, condenas à reclusão os loucos, e são as pessoas normais que governam o mundo. A quem pedir contas, então, de toda essa miséria? [...] Mas quando penso nos teus filhos recém-nascidos, no modo como os torturas a fim de transformar em criaturas "normais" à tua imagem e semelhança, sou tentado a aproximar-me de ti novamente a fim de impedir os teus crimes."



Wilhelm Reich, Escuta, Zé Ninguém! (1945)


---------


Fonte: Livro: Black Flag. Valerio Evangelisti, Pág. 67.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Zé Ramalho: Drug free?

Estou lendo o Livro: "Zé Ramalho: Um visionário do Século XX".

A autora Luciane Alves, navegou pelos livros e músicas de Zé Ramalho e acabou produzindo não uma obra biográfica mas sim um belo brado da anarquia.

Recomendadíssima a leitura!


Pelo que diz aqui ele escreveu a música: "Avohai" sob o efeito de um chá de cogumelo. Mas um pouco mas para frente no livro me deparei com essa passagem:


Zé Ramalho, revoltado com toda essa situação de rivalidade entre os homens, entregou-se às drogas. Como todo poeta sensível às disputas humanas, ele tentava se afastar da Terra. A música "A Terceira Lâmina" é também um relato do que Zé Ramalho vivia no período de dependência de drogas:

"Afastado da Terra,
Ele pensa na fera que o começa a devorar."

A Fera era a cocaína, que o afastava de toda aquela situação caótica de guerra implantada pela humanidade, mas ao mesmo tempo o devorava, causando a dependência. Diante de sua própria fraqueza, ele declara ser capaz de sair da fundura do poço onde se encontrava.

"Acho que os anos irão se passar
Com aquela certeza
que teremos no olho.
Novamente a idéia
de sairmos do poço,
da garganta do foço,
na voz de um cantador"

A canção é o que salva. Zé Ramalho foi capaz de cortar a ligação com o mundo das drogas. Para isso passou um período de grande sofrimento, mas sua consciência falou mais alto, e ele acredita que seu exemplo deve ser seguido por muitos que ainda estão seduzidos pela cocaína.

A voz de um cantador pode nos ajudar a ter consciência e sair do caos vigente. Estamos pensando em tudo isso por causa de um compositor e suas canções. E porque acreditamos que somos capazes de mudar e de fazer com que as pessoas que nos cercam mudem conosco, pois, como nos diz Zé Ramalho na música Um pequeno Xote:

"Toda pessoa merece felicidade,
Uma vontade danada de bem viver.
O mundo é bom quando se for entender
que tudo vinga quando se pode querer."

----

Zé Ramalho é drug free? haha.
essa é nova pra mim : )

Fico feliz.

----------

Referência: Alvez, Luciane. Zé Ramalho: Um visionário do século XX. - Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 1997.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Levantem os seus estilingues

Está na hora de botar o bloco negro nas ruas do Brasil:

Democracia Militar


Sabia mais no Vimeo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A indiferença..

Quando vamos descobrir..
Que não é a vida
Mas sim
A indiferença
Que nos mata, nos condena,
lentamente.
?
--------

Foto: Indiferença - por Vinícius Rafael Vogel da Silva - Galeria Pública Fotojornalismo

domingo, 6 de junho de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O ódio

É a história de uma sociedade que cai
e que repete durante a queda,
como para se reconfortar,
Até aqui, tudo bem.
Até aqui, tudo bem.
Até aqui, está tudo bem.
O importante não é a queda,
é a aterrissagem.



Esse filme me lembrou o trabalho do fotógrafo francês Denis Darzacq.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vegetarianismo

Em 2009, a primeira matéria de Radiojornalismo que fiz:



Entrevistados:
Geisa Moterani
Alexandre Campos Carbonieri

Trilha Sonora:
[Filme] Fulga das Galinhas - Flip flop fly

domingo, 23 de maio de 2010

Eles não usam black tie


Todos os que nasceram, moram ou gostam do Brasil deveriam ver esse filme.

Muito forte! Me lembrou muito a infância, o ambiente familiar e humilde.. E isso que eu ainda nem sou tão velho assim.

É um precioso pedacinho de Brasil.

Filme histórico. Recomendo! : )

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Montanha Mágica



Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é por incidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto prá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes
Agora só artesanato:
O resto são escombros

Mas, é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia

Chega, vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol
Num copo d'água

----

Obs.: Essa música mudou minha vida.
Um salve ao Renato Russo e à Legião Urbana.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Caça fantasmas ou caça votos?

Diante da podridão da assembléia legislativa, rejeitar o eleitoralismo e as disputas das quadrilhas que dominam o Estado, levantar os tribunais populares para punir os crimes da burguesia

Há mais de dois meses a Rede Globo iniciou uma campanha denunciando os “Diários Secretos” da Assembléia Legislativa Paranaense. O esquema funcionava desde a década de 1980 e se valia de várias falcatruas, como crianças e mortos recebendo salários, funcionários fantasmas e milhões sendo roubados dos trabalhadores, que produzem todas as riquezas. Não é preciso um trabalho de jornalismo investigativo para chegar a estas denúncias, elas só vazam quando há disputas interburguesas, quando partidos que partilhavam juntos o saque aos cofres públicos tornam-se inimigos diante de alguma disputa e resolvem entregar os antigos comparsas. Mais adiante podem voltar a ser unha e carne: se xingam hoje e amanhã aparecem abraçados, pedindo votos.

Diante da corrupção há duas políticas:

A política burguesa se apóia em um dos grupos em disputa, usa as denúncias para favorecer eleitoralmente uma das partes. Mostra a corrupção como uma anomalia, um desvio; exige CPIs para que se retome o bom funcionamento do parlamento. Exorta a vigilância do judiciário sobre o legislativo ou deste sobre o executivo. Faz a maioria oprimida crer que é possível votar em bons candidatos, honestos, que farão do Estado o protetor de toda a sociedade.

A política proletária mostra que a corrupção é parte do Estado Burguês: o estado está podre e para alcançar postos nele é necessário participar da podridão. Presidentes, Governadores, Prefeitos, Senadores, Deputados, Vereadores, Juízes, policiais todos têm seus esquemas: propinas, caixa 2, lavagem de dinheiro, desvios, etc. As CPIs são um jogo de cena das quadrilhas que dominam o Estado, é inútil apostar que um bandido vai julgar o outro. Para julgar punir os crimes de classe da burguesia é preciso levantar os Tribunais populares, organizados pelas massas em luta.

E os caça-fantasmas?

Impulsionada pela Rede Globo, que por sua vez é impulsionada pelas disputas interburguesas, a UPE resolveu sair às ruas para “protestar” contra a corrupção. Tal bandeira, na boca de partidários do PT e PCdoB, é mero artificialismo. O horror contra a corrupção é seletivo, não se manifesta quando a roubalheira é protagonizada por seus partidos, seja no mensalão de Lula ou no mensalinho da Grande Londrina. Estes protestos são apenas um aquecimento para as eleições que se aproximam, “queimam” os partidos opositores e dão um atestado de idoneidade para os seus candidatos.

ANEL também quer caçar votos

Diante da ilusão de setores estudantis com as bandeiras de moralidade, a ANEL, em vez de denunciar o movimento caça-fantasmas, convoca os estudantes a fazerem parte deste. Falsificam a história exaltando até mesmo o “Fora Collor” como exemplo de movimento estudantil. Tal política se guia por cálculos eleitorais. A ANEL/PSTU adere ao que está dando visibilidade, quer dividir o saldo eleitoral com a UNE e UPE que estão dirigindo a campanha.

Os trabalhadores e a juventude não podem se deixar levar por esse jogo, é necessário responder com independência de classe, não se deixar manobrar, insistir na defesa de suas reivindicações mais sentidas: como trabalho e escola para todos e salário mínimo vital. Nenhuma ilusão no Estado burguês, corrompido até a medula.

------

Obs: Esse texto foi publicado no boletim de abril "Corrente proletária na Educação", do POR. E publico pois achei muito bom.

sábado, 8 de maio de 2010

Caixa alta e baixa segundo M. L. Erbolato

Tirem as suas próprias conclusões sobre essa concepção de mundo:

"Uma pessoa caixa alta a é a que está no topo da sociedade, em excelente situação financeira. Quanto às chamadas caixa baixa seriam as não bafejadas pela sorte e sem nenhuma projeção ou notiredade"

Mário L. Erbolato.
Jornalismo Gráfico: Técnicas de Produção. Edições Loyola - São Paulo. 1981. Pág. 15

sexta-feira, 7 de maio de 2010

1ª Mostra de Teatro Popular de Londrina

Essa é uma matéria que fizemos para a disciplina de Radio jornalismo na Universidade Estadual de Londrina durante o encerramento da mostra:



Organização da mostra: FTO - Londrina
Trilha Sonora: Cia Teatro de Garagem - Peça: Helena dos Sonhos
Produção e edição: Lucas Godoy e Lucas Rodrigues

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nacionalistas!

( Imagem publicada no jornal A Plebe no dia 01/05/1947 )


Os nacionalistas consideram que nosso problema é a falta de patriotismo. Como se defender um país perante os demais pudesse eliminar a opressão, a exploração e gerar melhorias para todos nós. Como se os exploradores fossem todos os inimigos estrangeiros e aqueles que não estão dispostos a defender a superioridade do seu país. Mas a própria idéia de superioridade já contém em si a perspectiva da hierarquia, de exclusão e opressão. A dominação de uns poucos, a ganância, aliada a esse tipo de pregação permite que países (como França, Inglaterra, Portugal, Espanha, agora EUA, e etc...) se sintam no direito de invadir territórios e povos considerados inferiores, ou menos civilizados, no direito de usar até armas químicas promovendo a mais covarde forma de guerra. Foi assim que assim exterminaram e condenaram a fome milhares e ainda trucidaram boa parte da biodiversidade do planeta colocando em risco a vida das gerações futuras. Podemos citar muitos exemplos: Vietnã, Marrocos, Palestina, Afeganistão, Haiti, as colonizações e o extermínio dos povos indígenas, as ditaduras civis-militares que tornaram a tortura, a censura e a repressão formas legais de impor aos pobres a vontade dos patrões e tiveram de forma irrestrita o apoio e financiamento das potências estrangeiras. Todas essas barbáries só aprofundaram o medo, a miséria e a segregação. É por esse tipo de concepção de mundo que homens entregam suas vidas aos exércitos, sendo sub-julgados por seus comandantes e coronéis, sendo preparados para matar e morrer por seus países, sem considerar que no país que tanto defendem também existem opressores, oprimidos e que entre os seus supostos inimigos podem estar pessoas simples e humildes, inclusive com gostos e idéias parecidas. Essa é portanto uma postura a-crítica porque considera todos os estrangeiros ou não nacionalistas como inimigos. Mas a verdade é que nos outros países também existem os exploradores e explorados. A verdade é que o nacionalismo é uma máscara usada para obscurecer a realidade e assim ajuda condenar à fome milhares. Se todos os países e povos se imbuírem desse sentimento seremos escravos da guerra e do ódio eterno entre os povos irmãos. Como se não bastasse a barbárie cotidiana imposta pelo modo de produção capitalista, estaríamos sujeitos ainda a mais esse barbarismo.

Nem pátria! Nem patrão!


Não nos confundamos:

A liberdade não é filha da ordem,
e nem pode ser gerada pela ordem.

É apenas liberdade ampla e irrestrita, de atuar, de se unir, se organizar, se revoltar, se solidarizar, de realizar trabalhos vivos e criativos que produzam uma sociedade melhor, e não apenas engordem os bolsos dos patrões, e até a liberdade ter mais momentos destinados ao lazer e ao ócio, que poderá gerar a ordem e o equilíbrio humano.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Salvami

Os brancos, os pretos, a religião
o pessimismo da razão
a foto do grupo, o primeiro dia de escola
liberdade de movimento, liberdade da palavra
as oito princesas e os setecentos anões
as armas, os escudos, os direitos humanos
os corvos que crocitam “revolução!”
mas não tem pidedade e nem compaixão
o sangue se junta sobre o chão
detém as articulações do movimento
a voz que gagueja a esperança que tropeça
a cabra que vive, a cabra que sobrevive
a jornalista escritora que ama a guerra
porque se recorda quando era jovem e bonita
amigos e inimigos, que conforto
o vilarejo de lama contra a grande cidade

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salvemenos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

As redes, os portões, a zona vermelha
milhões de cruzes, milhões de sepulturas
a OTAN, a FAO, as nações unidas
seis milhões e trezentos mil de videiras
dignidade, dignidade, uma virtude normal
a indiferença, é o mais grave dos pecados mortais
o mercado mundial, o mercado regional
a cruzeiro do sul e a estrela polar
o NASDAQ que cai, o petróleo que cresce
a bolsa que desce, a bolsa que sobe
a história nos ensina que não existe final ao horror
a vida nos ensina que vale só o amor

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salveme-nos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

O PIB, a riqueza misturada ao consumo
a rede global, os sinais de fumaça
a conversão da energia
o copo de calda da economia
o computador, a transformação
e nos sobre um ferro que tem agora as pistolas
a face sem medo, a vida que voa
o estomago, o figado, o peito, a garganta
Peshawar, Nova Iorque, Serra Leão
a polícia, seguro de vida
a inocência perdida, a razão do estado
uma só potência, um só mercado
um só jornal, uma só rádio
os mil esqueletos dentro do armário

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salvemenos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

A história nos ensina que não existe fim ao horror
a vida nos ensina que só vale o amor

Salva-me, salva-te, salva-nos, Salvemenos
salva-los, salva-te, salva-me, Salvamos-lo

Música: Salvami - Autor: Lorenzo Jovanotti
Tradução: Sabrina F.



--

( Agradecimentos especiais a generosidade e companheirismo da Sabrina pela tradução! )

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O sonho do operário

Aí, quero ver quem vai pegar o nada custa com a justiça divina

O operário sonhou
que a elite condenou ele a morte
depois lhe mandou pro inferno
você é pobre favelado e não tem muita sorte

Olha que foi um desespero danado
Na hora de entrar no caldeirão
Pinto logo o capeta mirim lhe perguntando qual é seu grau de instrução
Porque também para entrar no inferno tem que fazer vestibular com o filho do cão

Olha que na continuação do seu sonho
Ele encontrou várias autoridades
Na fila da comprovação tinha muitos civis e militares
Um parlamento completo e até chefe de nação
Foi aí que o chifrudo chefe deu aquela explicação

Lá na justiça da terra
Vocês não devem nada a ninguém
Porque a lei dos homens é somente aplicada
Em cima daqueles que nada tem

Mas a justiça divina
Não tem jeito de enganar
Nem o poderoso dólar dos senhores
Lá não consegue subornar

ihh...

Vocês na vida material
Abusaram muito do poder e do nome
Fizeram injustiça com os trabalhadores
E milhares de crianças mataram de fome
Por isso tão aqui no inferno
Pela justiça divina condenados
É aí que o provérbio diz assim:
Quem deve a Deus pague o Diabo

E o chifrudo gritou:
É quem robou lá na terra levante o dedo
Não tentem me enganar
Contem logo a verdade eu conheço o segredo
Vou botar vocês no Pau de Arara

Quem robou lá na terra levante o dedo
(sujou.. sujou)

É o operário sonhou
Que a elite condenou ele a morte
depois lhe mandou pro inferno
você é pobre favelado e não tem muita sorte

.....
Bezerra da Silva