terça-feira, 17 de novembro de 2009

Solidão e auto-organização

"O tempo e o trabalho, contudo, acabaram por cumprir a sua tarefa. O dia-a-dia do campo, tão importante na sua moléstia, apagou, pouco a pouco, todas essas impressões dolorosas.."

"..E essa esplêndida primavera ainda mais excitou Liêvin, reforçando seu propósito de renunciar ao passado para organizar a vida solitária em condições de solidez e independência.. Se muitos dos projetos que formulara no regresso tinham ficado no papel, o ponto essencial, a castidade da vida, não o atormentava mais: a vergonha que habitualmente se seguia a cada uma de suas quedas findara, tinha agora coragem para olhar as pessoas de frente.."

"E desse modo, a despeito da solidão em que vivia, ou talvez como consequência dela, tivera uma vida cheia. Só de longe em longe lamenava não ter mais ninguém além da sua velha ama a quem comunicar as idéias que lhe vinham à cabeça, pois acontecia-lhe muitas vezes pôr-se a falar diante dela de física, agronomia e sobretudo de fiolsofia.." (Tolstói, p. 148)

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Referência:

Tolstói, Leon. Ana Karenina. Editora Abril Cultural, 1ª Ed. Ago. 1971. Tradução de João Gaspar Simões. Da coleção "Os imortais da literatura universal"

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