terça-feira, 24 de novembro de 2009

Efeito verdade e hipocrisia

"No entanto, quando se viu só dentro do carro, com uma satisfação em que havia o seu quê de surpresa, sentiu a mesma sensação de alívio do homem a quem acabam de arrancar o dente que o fazia sofrer há muito: o choque é terrível, o doente tem a impressão de que lhe arrancaram da maxila uma coisa imensa, maior ainda que a sua própria cabeça, mas ao mesmo tempo, sem acreditar muito na felicidade, verifica o desaparecimento dessa coisa abominável que por tanto tempo lhe envenenara a existência. Pode viver de novo, de novo pode pensar e interessar-se por outras coisas que não sejam própriamente o seu sofrimento"(Tolstói, p.264)

"a hipocrisia é capaz de iludir o mais inteligente dos homens, mas a criança de mais limitada inteligência logo a descobre e por ela sente repulsa"(Tolstói, p.254)

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Referência:

Tolstói, Leon. Ana Karenina. Editora Abril Cultural, 1ª Ed. Ago. 1971. Tradução de João Gaspar Simões. Da coleção "Os imortais da literatura universal"

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Solidão e auto-organização

"O tempo e o trabalho, contudo, acabaram por cumprir a sua tarefa. O dia-a-dia do campo, tão importante na sua moléstia, apagou, pouco a pouco, todas essas impressões dolorosas.."

"..E essa esplêndida primavera ainda mais excitou Liêvin, reforçando seu propósito de renunciar ao passado para organizar a vida solitária em condições de solidez e independência.. Se muitos dos projetos que formulara no regresso tinham ficado no papel, o ponto essencial, a castidade da vida, não o atormentava mais: a vergonha que habitualmente se seguia a cada uma de suas quedas findara, tinha agora coragem para olhar as pessoas de frente.."

"E desse modo, a despeito da solidão em que vivia, ou talvez como consequência dela, tivera uma vida cheia. Só de longe em longe lamenava não ter mais ninguém além da sua velha ama a quem comunicar as idéias que lhe vinham à cabeça, pois acontecia-lhe muitas vezes pôr-se a falar diante dela de física, agronomia e sobretudo de fiolsofia.." (Tolstói, p. 148)

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Referência:

Tolstói, Leon. Ana Karenina. Editora Abril Cultural, 1ª Ed. Ago. 1971. Tradução de João Gaspar Simões. Da coleção "Os imortais da literatura universal"

Vem meu igual..

"Sozinho não dá
eu não vou aguentar
vem meu igual"
Cólera

Hoje aprendí com a vida uma dura lição: nunca se separe das pessoas que você gosta. Nunca! A não ser que isso esteja fora de suas capacidades. Se puder, mantenha o contato.

Fiquei sabendo agora que uma grande amiga, com quem eu não falava há muitos anos e por isso não sabia onde e como estava, cometeu suicídio no ano passado.

E ela estava aqui em Londrina, aqui perto.

Fico pensando porque depois que eu voltei para cá nunca tentei descobrir por onde essa linda, pequena e colorida borboleta estaria?

As vezes contentamo-nos com a vida tal como ela se apresenta. E isso não basta, temos que "lutar para viver melhor, bem melhor". A hora certa para viver é aqui e agora. Jamais abandonar companheir@s à própria sorte. Independentes e autônomos sim, isolados jamais.

D., por tudo que me ensinou, estará sempre em meu coração..

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Entre o real e o aparente

"E eis que de súbito, sem em nada renegar suas convicções, se encontrava diante de uma situação ilógica, abusrda, não sabendo como proceder."
"Essa situação era nada mais nada menos que a vida real, e se achava ilógica e estúpida, era apenas porque nunca a conhecera senão através do aneparo deformador de suas obrigações profissionais. A impressão que experimentara naquele momento era de um homem que passa tranquilamente por uma ponte suspensa sôbre um precipício e se apercebe, de súbito, que a ponte está desmantelada e o abismo a seus pés. Esse abismo era para ele a vida real, a ponte, a existência artificial, a única coisa que até então conhecera do mundo. Pela primeira vez lhe vinha à mente a idéia de que sua própria mulher pudesse gostar de outro homem, e essa idéia aterrava-o."(Tolstói, p.140)

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Referência:

Tolstói, Leon. Ana Karenina. Editora Abril Cultural, 1ª Ed. Ago. 1971. Tradução de João Gaspar Simões. Da coleção "Os imortais da literatura universal"


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A imagem anarquista

Até dia 14 de novembro, de segunda a sexta, das 8h às 19h,
e aos sábados, das 8h às 13 horas

Na Biblioteca Púbica Municipal de Londrina


Um mundo sem governantes, regido pelo amor livre e a coletivização dos meios de produção, fascinou gerações. Atacado tanto pela direita quanto por setores da esquerda, o pensamento anarquista mobilizou grande parte dos movimentos operários e sociais surgidos no Ocidente a partir do final do século 19.

A exposição ''A Imagem Anarquista'', em cartaz na Biblioteca Pública Municipal de Londrina, traz um panorama das ideias libertárias através de painéis com reproduções de charges e recortes de jornais. O material foi pesquisado no acervo do Centro de Documentação da Unesp-SP.

''Na verdade, a mostra completa reúne cerca de 300 imagens. Tive que reduzí-la para 45 por falta de espaço'', diz Alberto Gawryszewski, docente do Departamento de História da UEL e responsável pela montagem. Entre os temas representados nos painéis figuram a exploração no trabalho, os mártires e heróis dos trabalhadores, a repressão policial, as festas, os comícios e as ações diretas.

Uma parte da iconografia foi extraída de jornais holandeses, argentinos, espanhóis e americanos. Algumas imagens tratam do movimento anarquista brasileiro nas três primeiras décadas do século 20. De acordo com o organizador, o pensamento libertário teve grande visibilidade no meio operário pelo uso de desenhos e ilustrações como meios para divulgar suas manifestações.

A imagen passou a ser um instrumento de educação política por facilitar a transmissão da mensagem ao leitor, que se identificava enquanto indivíduo ou classe social na representação visual. Gawryszewski conta que, além da exposição, o projeto de resgate do movimento anarquista envolve a realização de um video-documentário e a publicação de um livro temático, tudo com patrocínio da Petrobrás.

''Eles seriam lançados junto com a exposição, mas tudo atrasou por causa da gripe suína que paralisou as atividades acadêmicas no mês de agosto. Se não der para fazer o lançamento até dezembro, deixaremos para o próximo ano'', diz. O livro, já pronto, foi escrito em parceria com Paulo Alves e Isabel Bilhão, também docentes do Departameto de História da UEL.


Fonte: Folha de Londrina

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Bolsa Celular???




Eu sempre achei um exageiro as críticas aos programas de bolsas do governo Lula. Mas agora superaram todos os limites:

"Empresas dariam aparelho e crédito de sete reais por mês para famílias beneficiadas pelo Bolsa Família; governo ofereceria isenção do imposto FISTEL."

Obs:
o programa foi proposto *pelo governo* e não pelas empresas.

Acreditem se quiser: idgnow

É bom para quem?

Para o governo é bom, pois todos ficarão felizes em ganhar um celular de graça. Para as empresas também é bom pois, além de lucrarem 1,9 BILHÕES a mais, vão poder inundar mais milhares de pessoas com propagandas: recarregue, compre isso, envie mensagens, ganhe, lucre, seja...

E para o povo é bom ter um celular?

A questão não é essa. Bom mesmo é poder investir anualmente 1,9 BILHÕES em saúde ou educação. É muita grana!!! Imagina, dava para montar escolas, bibliotecas e centros sociais FODAS em cada cidade desse país, fazer reforma agrária adoidado e etc..

Vejam:
A estimativa de arrecadação do Fistel [..] é de R$ 1,956 bilhão. [..] R$ 1,8 bilhão [..] pelas operadoras de telefonia móvel e [..] R$ 40 milhões da telefonia fixa. Em 2008 foi de R$ 1,4 bilhão.

Fonte: telecomonline

[]´s revoltosos com tanta patifaria.

domingo, 8 de novembro de 2009

O capital oprime o trabalhador

Se eu não compartilhasse isso após a leitura, poderia mudar o título do blog:

"- Bem sabes que o capital oprime o trabalhador. Entre nós, os operários e os camponeses suportam todo o peso do trabalho, e as coisas estão feitas de tal maneira que por mais que trabalhem não conseguem passar de bêstas de carga. Todos os benefícios, tudo o que permitiria ao trabalhador melhorar sua condição, ter descanso e por conseguinte tempo para instruir-se, todos êsses benefícios os capitalistas lhes roubaram. A sociedade está organizada de tal maneira que quanto mais os operários trabalhem tanto mais amealharão os comerciantes e os donos da terra, continando aquêles a ser bêstas de carga. É preciso modificar esta ordem de coisas - conclui olhando interrogativamente para o irmão."(Tolstói, p. 91)

E outra que me identifiquei por ter tido um raciocínio semelhante há uns anos:

"..mas sempre se dera conta da injustiça que representava o muito que tinha em comparação com a miséria do povo. Para se sentir completamente justo, apesar de que sempre trabalhara muito, vivendo sem luxo algum, tomou a resolução de trabalhar cada vez mais e de levar uma vida mais simples. Tudo lhe parecia tão fácil de realizar que pensar nisso foi a coisa mais agradável que lhe ocorreu durante o trajeto"(Tolstói, p. 95)

Mais um que me remete ao que estou vivendo agora:

"é um absurdo não aceitarmos a vida como ela é, deixarmo-nos dominar pelo passado. Há que lutar para viver melhor, muito melhor" (Tolstói, P. 98)

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Referência:

Tolstói, Leon. Ana Karenina. Editora Abril Cultural, 1ª Ed. Ago. 1971. Tradução de João Gaspar Simões. Da coleção "Os imortais da literatura universal"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Estado Policial no Rio Grande do Sul

Para os explorados a prisão, a morte
Para os capitalistas ladrões, todas as homenagens*

A democracia brasileira está machada de sangue e segue, embora com seus métodos peculiares, os passos das democracias burguesas ao redor do mundo. A cada dia a repressão se torna mais aguda e faz mais vítimas. Um exemplo é Rio Grande do Sul que vive hoje em estado policial. Como se não bastasse a barbárie cotidiana, sacudiram a poeira da ditadura e a botaram novamente para torturar.

Depois que o trabalhador rural Elton Brum foi assassinado, com um tiro calibre 12 pelas costas, cresceu a denúncia e a mobilização contra o estado, a governadora Yeda Crusius e a Polícia. A repressão entretanto se fortaleceu. A sede da FAG(Federação Anarquista Gaúcha) em Porto Alegre, que visitei há uns anos atrás e pude conferir de o bom trabalho que desenvolvem, foi invadida pela polícia no dia 29 de Outubro, 2009. Roubaram um computador, materiais impressos que denunciavam a governadora Yeda e chapas para imprimir cartazes.

O abuso passou a ganhar destaque, boletins eram publicados no site da Federação Anarquista Gaúcha que recebeu nos últimos dias milhares de visitas. Mais uma vez, de forma arbitrária a página: http://www.vermelhoenegro.org/fag foi agora censurada, banida da internet.

Vejam mais em: Capitalismo, Estado e Repressão - Passe a Palavra

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Não vamos nos calar.
Espalhe essas notícias.
Sem justiça social não haverá paz.
Solidariedade à FAG e aos que lutam!
Não poderão jamais nos calar! Resistimos!
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* Imagem publicada no jornal anarquista "A Plebe" no dia 24/05/1919.