sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Oreste Ristori

Uma aventura anarquista


Logo após as primeiras páginas já fiquei maravilhado com o trato que o autor Carlo Romani teve com a história. Após extensa pesquisa sobre a trajetória do anarquista italiano Oreste Ristori, que nasceu em um ambiente muito pobre na Itália, o texto mescla sutis elementos literários e apresenta, ao longo da narrativa, uma incontável lista de referências documentais, institutos, fundos, entrevistas consultados. Mas o que mais me atraiu é a forma como o autor mergulhou profundamente no contexto e nas disputas internas do movimento libertário, sem esses elementos seria impossível compreender a história. Além disso, como lembra o prefácio de Margareth Rago, constitui uma importante contribuição ao romper com as fronteiras e demonstrar como desde cedo o anarquismo, e o movimento dos trabalhadores, se constitui como um movimento internacionalista e os pesquisadores muitas vezes acabam limitados aos acervos de seus países.

É curioso também notar o pouco conhecimento dos libertários brasileiros sobre essa figura, fato que talvez se deva as constantes releituras de sua posição ao longo das lutas. Ristori sofreu a vida toda uma extensa vigilância e foi classificado pela polícia como um “anarquista exaltado, prepotente e temível”. Grande orador e agitador, foi expulso de quase todos os países por onde passou: Itália, França, Argentina e Brasil. Participou também grandes ações diretas e dirigiu por muitos anos o periódico “La battaglia” que só posteriormente passaria as mãos de Gigi Damiani. Temeroso com a ascenção fascista(ditatorial) no Brasil e desiludido por não ver o estouro de um grande movimento revolucionário em terras latino-americanas acabou sendo deportado para a Itália onde, apartado do seu grande amor e companheira Mercedes e junto com outros anarquistas, foi sumariamente assassinado pelas autoridades fascistas.

Uma visão geral do livro está disponível no GoogleBooks

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