quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Qual é o seu mundo real?

Tudo é tão fácil. Não é mesmo?

Neste mundo virtual.

É muito fácil.

Você fica aí.

E eu aqui.

Você nem aí.

E eu nem aqui.

Um conforto natural.

Você pode escolher. Não é mesmo?

Seja bem vindo - diz a deliciosa forma de seus sonhos - Esse é um mundo virtual. Aqui tudo é perfeito. Um design arrojado para o seu conforto. Se um dia seus vizinhos lhe incomodaram, lembre-se sempre: aqui só existe você. E quando você se sentir sozinho sinta na verdade que o mundo está ao seu dispor: todo o saber e todo o prazer será obtido. Afinal, tudo pode ser em seu favor invertido: os podres que cultivar omitidos e os benefícios que inventar exibidos. Atraia muitos amigos e muitos amores. Não tema. Quando a sua paciência esgotar ou o seu desejo for contrariado, basta ficar invisível e não responder os recados. Finja que não viu, que não sabe, que não está, adie para depois. Supra a carência em outro perfil ou um site qualquer. Se o caso for grave, vá passear, respire e quando voltar ainda assim estaremos aqui e continuaremos perfeitos. Nosso virus? Não mata! Formata e está novo. Se tiver raiva, cometa um crime, só para variar, se você não contar ninguém vai desconfiar que foi você. Mas? Mas nada! Cale-se! A nós não nos interessa os seus pecados contanto que você goze.

Sinta essa liberdade! Esse poder! É tão real, não é mesmo?

Sim! Tome uma atitude agora! Melhore a sua vida! Acabe com toda a violência! Viva uma vida sem conflitos, uma vida real! Esconda sua vulgaridade em baixo de um tapete, siga a etiqueta, mantenha a linha e seja sociável. Seja controlável e viva confortável. Esse é um mundo virtual, o seu mundo real.

Um universo inteiro criado para você.
Para atender os seus desejos.

domingo, 23 de agosto de 2009

Quinto Encontro de Cultura Ecológica

Escrevo para falar-lhes de um encontro que participo anualmente. Desde o ano 2004 os encontros Culturais Ecológicos, abertos em praça pública, promovem a cultura de paz e a harmonia com o mundo natural (do qual as pessoas fazem parte e dependem).


Nas edições realizadas, a programação buscou evidenciar uma interdisciplinariedade real que foi abandonada nos modos de vida chamados modernos, e isso contribuiu com a ilusão de que as pessoas estão fora da natureza.

O pensar ecológico atravessa barreiras nacionais, étnicas, sexuais, classistas, etárias, religiosas, afinal, é um assunto que diz respeito a todos. E a visão de ecologia proposta no encontro é ampla o suficiente para compreender que política, saúde, economia, educação, espiritualidade, agricultura e meio ambiente são conectados. Não há ecologia apenas para os bichos, não há saúde apenas para as pessoas. Assim como não há política apenas para os políticos nem economia apenas aos capitalistas. Os desafios estão interligados e a mudança é de paradigmas.

Essa visão ecológica profunda penetra em todos os campos da ação humana e provoca transformações culturais e no rumo de desenvolvimento das sociedades:

Na política pela evolução ética, descentralização de poderes, participação popular;
Na economia pela solidarização, produção e consumo local, grupos de consumo, cooperativismo;
Na educação com a ecopedagogia e ecoalfabetização;
Nas organizações sociais com a auto­gestão, o associativismo, os movimentos sociais, as eco­vilas;
Na saúde com as diversas terapias naturais, medicina holística, nutrição vital;
Na agricultura com a agroecologia, permacultura e outras vertentes unificadoras e ecologizadas;

*Participe ou saiba mais em: www.burucutu.blogspot.com
**Texto editado da carta-convite elaborada pelo Burucutu.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Vivir la Utopia



Olá! Com grande orgulho terminei de traduzir a legenda do documentário produzido pela TVE "Vivir la utopia" Viver a Utopia (Living utopia) em 1997. Além de contar a história da revolução espanhola protagonizada pelos anarquistas apartir de julho de 1936 na Espanha o filme aborta principalmente os temas: Anarquismo, Autogestão, Feminismo, Educação, Comunismo e Facismo.

Para quem quiser é possível baixar a legenda no OpenSubtitles.
Se os acentos não ficarem corretos baixem a segunda versão: OpenSubtitlesv2
E também pode ser visto no Youtube.
O vídeo pode ser baixado em torrent pelo PirateBay.
Ou pelo BtMon
*É um arquivo de 526 ou 527 Megas

Convido @s companheir@s interessad@s para organizarmos exibições / discussões sobre esse filme e sobre o anarquismo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pardais sejamos todos!


Vida longa a criatividade, originalidade e atitude do sr. Felício que fez e faz da vida sua própria revolução:

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Revolução Cotidiana

Viva o Aqui e o agora..

Não há dilema existencial para os que vivem o aqui e o agora. A tendência de nos evadirmos do espaço e do tempo em que estamos inseridos é enorme. Somos deste mundo mas acabamos morando em um castelo imaginário – que nem nos é prazeroso – construído pelas nossas frustrações e pela incapacidade de mudar a rota de nossas vidas.

A saída é vivermos o presente com as coisas que nos dão prazer. Mas temos medo, os riscos são grandes e nossa incompetência para aventura nos paralisa. Entre o risco no prazer e a certeza no sofrer, acabamos sendo socialmente empurrados para a última opção.

A partir do momento que rompemos a casca social e nossa espontaneidade renasce começamos a nos aproximar do aqui e o agora.

A opção política que uma pessoa deve fazer é viver o aqui e o agora de maneira crítica, criativa, assumindo suas limitações, mas mergulhando na aventura criativa da superação, da transformação do que é socialmente dado como obstáculo à espontaneidade, à liberdade, nossa e dos outros. Assim resgatamos nossa originalidade, nossa criatividade.

Começamos buscando um novo conceito de política e liberdade e acabamos encontrando um novo conceito de revolução. A revolução para nós se transformou em algo que ocorre o dia inteiro e deve ser total. A partir do momento que desejo transformar a sociedade ela começa. Fazer revolução e criar a sociedade dos nossos sonhos é algo simultâneo e não como se pensava convencionalmente: primeiro a revolução, depois a transformação social.

* Trechos do livro: "Paixão e Utopia" - Escrito por Roberto Freire

Trabalho Assalariado


"- O sistema assalariado é uma nova forma de escravidão - continuou ele com a voz ainda mais vibrante. - A mina deve ser do mineiro, como o mar é do pescador, como a terra é do camponês. Compreendam isso de uma vez por tôdas: a mina é de vocês, que há um século a vêm pagando com tanto sangue e tanta miséria!"*
* Germinal - Emile Zola - 1ª Edição - Ed. Abril, Rio de Janeiro - 1972. Pág. 61

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Flores


Ela disse, com todas as letras, não me amar e não querer me ver nunca mais.

Mas estou certo de que ao menor sinal ela virá correndo e o nosso amor se espalhará novamente, como o ar, preenchendo os espaços vazios com alegria e esperança. E sei disso não por ter certeza, mas somente porque as fantásticas engrenagens em minha cabeça me convenceram. Movidas a corações partidos ou ilusões executam uma dança frenética e me excitam uma dormência sutil em que os sonhos já não são mais invisíveis, se confundem e se sobrepõe à realidade. Assim desejamos. E sem perceber damos forma e passamos a acreditar em fantasias como se elas fossem tão naturais quanto o verde que brota da terra e a vida que espalha sobre ela.

Din-don.. Feliz, já superava a vergonha de ter comprado rosas, rosas! De tão ridículo que fui até as senhoras da praça Rocha riam de mim enquanto a névoa me envolvia e eu caminhava delirante ao apartamento dela. É. Ela é mesmo tão bela, é a poesia que restou em minha vida, se ela abre essa porta, ah se ela abre, já sei o que direi, conquisto-a novamente e não a deixarei escapar jamais. Acredite, eu tenho repulsa a idéia de prendê-la, escolheria perdê-la, e por isso media os verbos e lhe falava com uma ternura comedida. Aprendí que o amor é livre, que deve ser mútuo, desejado e conquistado por ambos sempre. Era esse o meu ideal, minha revolução cotidiana. Mas entender isso não significa que em meu âmago eu não quisesse amarrá-la. Ah como eu quero, não com correntes, com chantagens ou pressões de ordem psicológica. Quero atar os nós com os nossos olhos, com abraços ou até o canto do silêncio, com murmúrios, beijos, palavras soltas e todo esse conjunto de signos que parece sem sentido para os os miseráveis, os burgueses, os que nunca amaram alguém, os casados por interesse, comodismo ou convenção social, os que ainda não respiraram um amor livre.

Ela não respondeu o meu primeiro toque. Será que eu aperto novamente ou aguardo alguns minutos? Eu espero. Din-Don. Porcaria, eu repetí e agora, e se ela estiver ocupada? Serei paciente, ela está ocupada. Eu sei que fui bruto poderia ter ao menos avisado antes de usar essa campainha estúpida da forma que usei. Calma, ela está ocupada e irá abir apressada assim que me imaginar à porta. De repente brota um riso espontâneo em minha face: é tão bom estar aqui. Da última vez passamos 3 horas à beira do lago sem nada fazer, absolutamente. E é como se o conceito da perfeição que cresce naquilo que se faz fosse esmagado sem esforços pois o amor ali nada exigia, era tudo tão simples, tão belo e precioso.

Ela ainda não abriu, ela deve estar dormindo, eu vou tocar novamente, é isso, eu sei que é. Din-Don-Din-Don. Quem sabe assim ela acorda. Olho em volta, será que os vizinhos já notaram que estou aqui novamente? Será que eles fazem chacota de mim? E você está rindo do que? Eu agrido meu calcanhar direito contra o chão sem levantar a ponta do pé quinze vezes antes de decidir que vou embora. Meu corpo vai e volta como se um elástico enfraquecido e velho me prendesse às minhas aspirações. Bem, pode ser um sono profundo e os vizinhos que se danem, eu não vim aqui atoa. Faço o agudo alarme soar prolongado por mais quatro vezes. Se ela não despertar agora eu parto. É claro que eu vou, tenho muito mais coisas a fazer. Bom. Talvez ela não esteja em casa. Ela disse que estaria. São os últimos dias em que a Lu ficará na cidade. A Lú é sua melhor amiga. Podem ter saído isso é bem provável. Depois de tudo que me disse achei que ela iria esperar ansiosa a minha visita. Talvez ela esteja aí, bem aí atrás dessa porta e tenha até me observado aqui pelo olho mágico, quem sabe optou por testar meus sentimentos mais uma vez, como um gato que brinca alegre com sua presa agonizante até a morte. Vai ver me leu mais de uma vez e voltou para conferir se ainda estou aqui e qual é o conteúdo de meus olhos. Discretamente eu aceno com um sorriso para a porta, mostro as flores, a madeira permanece marrom inerte e sem cor diante de mim. Já basta. Isso é tudo eu não tolero mais humilhações. Prometo a mim mesmo que jamais ponho os pés em seu capacho. Jogo as flores pela janela, passo a mão sobre a roupa de cima para baixo rapidamente como se pudesse limpá-la, ela está limpa. Respiro fundo. O elevador sobe. Vazio. O elevador desce. Me sento. Merda! Eu devia ter guardado as flores.. Tudo prossegue e a noite cai anunciando que um novo dia, um novo amor quem sabe, terá que nascer.

domingo, 2 de agosto de 2009