segunda-feira, 23 de março de 2009

Oceanos que se cruzam

Sobre jornlismo e literatura..


Quando se fala em jornalismo e literatura, os primeiros nomes lembrados provém da América do Norte, na década de 1960. Truman Capote, Norman Mailer, Tom Wolf, entre outros. Embora os termos “new journalism”(novo jornalismo) ou “jornalismo literário”, apareçam após esse período, a mistura e experimentação é mais antiga. Ao ler “As vinhas da Ira”, livro publicado em 1939 e escrito por John Steinbeck que o rendeu o prêmio Pulitzer, por exemplo, é impossível deixar de notar que certa documentação histórica, contextual, sobre o momento difícil da crise de 1929 nos Estados Unidos. E, como diria o jornalista Juarez Bahia, o que seria o jornalismo senão apurar, reunir, selecionar e difundir notícias, idéias, acontecimentos e informações gerais com veracidade, exatidão, clareza, de modo a conjugar pensamento e ação?

Ao voltarmos um pouco mais na história, no Brasil, escritores como Euclides da Cunha e Lima Barreto também podem ser considerados como “raízes do estilo”, afirma o jornalista e Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ, pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo, Gerson Dudus.

Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu em 13 de maio de 1881, viveu a maior parte de sua vida em Santos e faleceu em 1922 minado pelo alcoolismo, após sofrer internamentos psiquiátricos. Além de se identificar com os operários e imigrantes, tendo atuado de forma constante na constituição da imprensa proletária no início do século XX, que reivindicava a redução da jornada de trabalho e o fim da carestia de vida em jornais como “A Lanterna”, que se dizia anticlerical ou “A plebe”, anarquista, conseguiu publicar 17 obras. As perseguições de que foi vítima refletiram em boa parte de sua obra desde Triste Fim de Policarpo Quaresma até Clara dos Anjos.

Já Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em 20 de janeiro de 1866 e em 1909 foi baleado em uma troca de tiros. Após saber que sua esposa, Ana de Assis, o abandonara pelo jovem tenente Dilermando de Assis saiu armado na direção da casa do militar e não voltou. Foi escritor, professor, sociólogo, repórter jornalístico e engenheiro. Tornou-se famoso internacionalmente por sua obra-prima, “Os Sertões”, que retrata a seca no nordeste, o homem sertanejo e a guerra dos Canudos. Seus romances, de temática social, destacaram o subúrbio, uma realidade marginal e esquecida, os pobres, os negros, as mulheres e os imigrantes e retirantes.

Hans Magnus Enzensberguer, poeta, romancista, ensaísta, editor de revistas e livros, é outro intelectual múltiplo e produtivo que também intriga. Quando “O curto verão da anarquia” foi publicado em 1972 não faltaram críticas de que se tratava de uma mera compilação de material documentado sobre o anarquista espanhol Buenaventura Durruti, que se tornou um herói popular durante a revolução espanhola. A verdade é que ele transgrediu padrões ao mesclar literatura, jornalismo e história. E deixou claro que não se tratava de uma obra científica. Explicou em seu livro que “o romance como colagem apóia-se em reportagens, discursos, entrevistas e proclamações”, mas, “o recontador não é imparcial, intervém na narração” e “sua liberdade é limitada”, seu texto “passou por outras mãos e mostra as marcas de seu uso”.

A verdade é que, como afirma a estudiosa e jornalista Cremilda Medina, situam-se na literatura as “musas do jornalista”. E os dois campos estão eternamente em contato, embora a imprensa diária esteja pressionada pelo “dead line”, a hora limite para fechamento do jornal, e o jornalismo literário esteja mais livre para trabalhar a linguagem, ambos se comunicam e trocam influências.

Referências:
BAHIA, Juarez. Jornal, História e Técnica: História da Imprensa Brasileira. São Paulo: Ática, 1990. Págs. 150 a 153.
BOTELHO, Danilo. Floreal e o Jornalismo no Tempo de Lima Barreto. Acesso em: 10/11/2008. Disponível em:
Dudus, Geron. Razão & Sensibilidade: Experiência em Redação Jornalística. Acesso em: 10/11/2008. Disponível em:
Acedêmia Brasileira de Letras. Site oficial sobre Euclides da Cunha. Acesso em: 10/11/2008. Disponível em:
Enzensberger, Hans Magnus. O Curto Verão da Anarquia. São Paulo: Cia das Letras, 1987.
MEDINA, Cremilda Celeste de Araújo. Entrevista, o diálogo possível. São Paulo: Ática, 1986.
SILVA, Jomar R., MORAIS, Maria A. C. Perspectivas para a educação da mulher em Lima Barreto. IV Congresso Brasileiro de História da Educação. Goiânia: 15 jul. 2006.
SODRÉ, N. W. História da Imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.

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Trabalho que apresentei ano passado (2008) na disciplina de Técnicas do Jornalismo Impresso. Grande abraço para a profa querida Maria Helena!

2 comentários:

Annah disse...

Tem selito pra ti no meu Blóguito mestre cuca!hehehe
Bsitos, e vê se aparece hein
Tô até com saudades :S

Annah disse...

Já achei! Mas vai que tu já pegou no sono hehehe

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