quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Solidariedade


É comum imaginar que trabalhamos em fábricas. E isso está certo! Mas quando se tem esse tipo de idéia na cabeça imagina-se a fábrica tradicional, antiga, como é representada nos filmes realistas, com espaço físico fixo e produção de mercadorias imediatas. E de fato, muit@s operári@s, ainda trabalham nelas. No nosso caso, somos reflexo de um novo tempo, as fábricas de hoje estão perdendo a forma tradicional, na era digital trabalha-se pela internet, pelo telefone, alguns até em casa, o próprio homem assume papel de máquina? Massificado e mecanizado, passa ser uma extensão das máquinas?..

Enfim, é realmente difícil compreender porque nos consideramos operári@s em um contexto como esse, a própria palavra "operári@" assume um peso arcaico que tende ao desuso. Por esse motivo, pela péssimas condições de trabalho, talvez por rejeitarem de forma inconsciente esse mundo abstrato e também pela pressão da ideologia dominante, muitos de nós apenas se dizem trabalhadores, estudantes, funcionários ou profissionais. Alguns ainda nem se reconhecem como tal, assumindo não-intencionalmente um preconceito burguês, encaram a jornada de estudo/trabalho como mera obrigação temporária da qual esperam se libertar em breve para assumir uma profissão "superior", quem sabe até um cargo de chefia, se especializar, concluir uma universidade parece ser um requisito para isso, ou simplesmente passar em um concurso público. Dessa forma também não procuram criar laços de solidariedade e permanecem ainda mais vulneráveis as modernas brutalidades das metas, horas extra, essas "novas" formas de remuneração que, embebidas na lógica capitalista, em teoria prometem um ganho superior para os mais esforçados mas, na prática, são tão cruéis como o chicote do feitor.

Seja lá como for, em nosso caso, nos consideramos operários pela identificação com uma classe e com a história de um povo que sempre lutou por melhores condições de vida.

Reconhecemos e valorizamos as lutas do passado pois elas possibilitaram a conquista de vários direitos. E se tais vitórias não foram suficientes para dar fim a nossa opressão, ao menos ampliaram a margem de diálogo para que briguemos por isso. Reconhecemos no discurso dos velhos irmãos e irmãs nossos sonhos e idéias presentes. Entendendemos a realidade e sabemos que não estamos desconectados das caraterísticas e da velocidade atual, bem como ainda existem laços que nos ligam inevitavelmente a nossa história. Agora mais preocupados com a gestão da vida em um planeta em destruição seguimos em frente, solidários, sempre.

Enquanto alguns se esforçaram ao máximo para apagar da história a identidade operária, nós, estamos cientes dos laços que nos unem com trabalhadores de todo o mundo. E resgatar a nossa história é de fundamental importância, como lí em certo jornal anarcosindicalista português, em citação a um autor que não me lembro o nome: "a luta do oprimido contra o dominante, também é a luta da memória contra o esquecimento".

É difícil progredir no ponto que chegamos, o isolamento parece uma barreira inquebrável, mas basta sacudir a estrutura que a reação é rápida e violenta. Se o medo é tão forte, talvez a estrutura não seja. O importante é agir. Materializar a luta e a nossa presença. Perder o medo. Aprender a enfrentar. Solidarizar. Criar e transformar. Ocupar. Buscar prazer. É isso, a revolução.

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