
Que nossas palavras mais sinceras não sejam indiretas


Tenho 28 anos e pensando em tudo isso e outras coisas mais, há tempos, estou com vontade de praticar um esporte. Pensei em bike trial ao ver os videos inspiradores do Danny Macaskill. Mas como a bike ia ficar meio cara e eu também gosto muito dessa outra modalidade, acreditem, ontem, dia 26/11/2011, comecei a andar de skate. Reparem aí na foto que ele ainda está novinho. Só o skate rs.... Depois do primeiro dia confesso, apesar de ter voltado a pedalar há algumas semanas, estou acabado. Parece que eu levei uma surra! Cansa muito. Já consegui levar um capote, machucar o dedo, acertar um ollie de 1 cm de altura parado e outro andando. Até fui chamado de "tio" por um pirralho de 12 anos que obviamente já andava muito mais que eu, acertava flip e tudo mais. Sou seu tio não seu Ô pentelho! (fica a dica) rs....

Apesar destes ocasionais e terríveis êxitos, as armas biológicas nunca desempenharam um papel decisivo na guerra ou no terrorismo. O mesmo não se pode dizer das infecções não-intencionais. As conquistas territoriais dos europeus em todo o mundo tornaram-se possíveis, em grande parte, porque os povos indígenas não eram imunes às doenças endêmicas dos invasores, como a varíola, o sarampo, a gripe, o tifo e a peste. Mas a guerra intencional com armas biológicas foi relativamente rara, em especial nos tempos modernos, e tem sido amplamente condenada por ser considera inumana e eticamente reprovável. Apesar disso, no começo do século XX, o Canadá, a França, a Alemanha, o Japão, a União Soviética e o Reino Unido faziam parte do elevado número de países que pesquisavam** meios para uma guerra biológica.
Todos eles compreendiam que as armas biológicas eram fundamentalmente diferentes das bombas, das balas, das granadas e dos mísseis. Estas munições estavam vivas. Podiam se multiplicar exponencialmente e, se fossem altamente contagiosas, espalhar-se como um incêndio descontrolado. E o mais estranho de tudo, tendo em conta o estertor da guerra, era que agiam silenciosamente.
Antes das bombas atômicas, as armas biológicas eram consideradas o meio ideal de destruição em massa, porque deixavam intactos os edifícios. Sua principal desvantagem era a imprevisibilidade. Nos limitados confins de um campo de batalha, as armas seguiam os ditames da natureza e não dos comandos dos militares. Podiam matar um adversário ou ricochetear, devastando as fileiras do atacante e dos seus aliados. A melhor maneira de utilizá-las parecia ser contra um inimigo distante, reduzindo assim a possibilidade de um efeito bumerangue. ( Pág. 47-48 )
[ … ]
Sabe-se que o programa soviético de guerra bacteriológica teve início nas décadas de 1920 e 1930, e foi aumentando gradualmente, tornando-se um dos mais antigos e maiores da era moderna.. Naquela época, os Estados Unidos não dispunham de armas bacteriológicas. O governo totalitário de Stalin investiu grandes somas nessa atividade, embora suas perseguições tenham assassinado ou aprisionado muitos microbiólogos de renome. ( Pág. 63 )
Nos Estados Unidos as pesquisas tiveram início posterior porém foram aceleradas. “O general Lyman Lemnitzer, chefe do Estado-Maior do Exército descreveu a forma como as armas poderiam ser utilizadas:
O exército podia cobrir grandes áreas e inflingir pesadas baixas sem destruir edifícios nem objetos. O potencial destas armas, declarou, era especialmente elevado “em áreas ocupadas por forças inimigas onde estivessem presentes civis aliados”, uma situação que poderia ocorrer nas filipinas ou na Indochina. Lemnitzer deu um exemplo hipotético: se as forças comunistas tomassem uma região importante, os estados unidos poderiam reagir com um ataque do vírus da encefalite. Os aviões lançariam pequenas granadas ou pulverizariam o agente na área em discussão. Dois aviões bombardeiros de médio porte poderiam ser suficientes, disse. Em três dias – tempo para a ação infecciosa do agente -, os aviões transportariam para o local pára-quedistas americanos ou aliados, que ocupariam a região.”
[...]
“..as doenças poderiam ser tão incapacitantes quanto a gripe ou tão mortais como as bombas atômicas.” ( Pág. 66 )
Os gastos com armas biológicas aumentaram de forma dramática depois de John F. Kennedy chegar ao poder. .. Eles apoiaram vigorosamente um programa de choque***, destinado a preparar os germes para a guerra.
O trabalho com os vírus, que já era prioritário, foi redobrado, e empresas como General Eletric, Booz-Allen, Lockheed, Rand, Monsanto, Goodyear, General Dynamics, Aerojet General, North America Aviation, Litton Systems e até mesmo General Mills, que produziam os cereais Cheerios e Wheties, aderiram ao programa bacteriológico. ( Pág. 67-68 )
Com a crescente oposição da opinião pública à Guerra do Vietnã, o programa de ármas biológicas do governo norte americano tornou-se alvo dos protestos. ( Pág. 79 )
A partir de 1972, os Estados Unidos, a União Soviética e mais uma centena de nações assinaram a Convenção sobre Armas Biológicas e Tóxicas. O acordo proibia a posse de agentes biológicos mortais, exceto para pesquisa de medidas defensivas como vacinas, detectores e dispositivos de proteção. Foi o primeiro tratado mundial a interditar uma classe completa de armas.
Mas trata-se apenas de um compromisso, porque o tratado estava cheio de brechas. Não se estabeleciam limites [..] padrões [..] formas de consulta [..] mecanismos de imposição.
No entanto, todos os analistas, dentro ou fora do governo (dos EUA), consideraram que a supressão correspondia inteiramente aos interesses da América****. A lógica era simples: enquanto a guerra fosse dispendiosa e as ações militares exigissem grandes quantidades de equipamento avançado e armas nucleres, só as nações mais abastadas poderiam participar do jogo. As armas baratas de força devastadora nivelaram o campo dos jogos. E todos os especialistas estavam de acordo em afirmar que isso era algo que Washington tinha todo o interesse em evitar. ( Pág. 82-83 )
-------------------------
Fonte: Miller J, Engelberg S. & Broad W. Germes: as armas biológicas e a guerra secreta da América. Rio de Janeiro: Ediouro; 2002.
Notas:
* Erhard Geissler & John Ellis van Courtland Moon, organizadores, Biological and toxin weapons: research, development and use from the Middle Ages to 1945, Oxford University Press e Stockholm International Peace Research Institute, Nova York, 1999, pp. 8-34; Sidell et al. Medical aspects, pp. 416-417
** Sidell et al. Medical aspects, p. 32
*** Regis, The Biology of Doom, pp. 185-186 (ver também Naomi Klein: "A doutrina do choque")
**** Wright, Preventing a Biological Arms Race, p. 40
A Geração Mimeógrafo, formada principalmente por jovens excluídos dos projetos editoriais das grandes editoras, ganhava o público no contato direto com o leitor, vendendo seus livretos, impressos de forma artesanal, em bares e portas de teatros. Para Nicolas Behr, um dos expoentes da Geração Mimeógrafo, esta nova forma de produção da obra literária surgiu como os não-alinhados, como uma opção dentro dos três blocos de poesia de vanguarda do início dos anos 1970: Poesia Concreta, Poesia Praxis e Poema Processo.
“Geração Mimeógrafo é, antes de mais nada, uma atitude. Fazemos parte da geração do atalho, vamos pelo desvio e burlamos todo o esquema editorial montado em cima do livro. Quando se edita um livro em mimeógrafo o autor tem condições de manter seu trabalho vivo. Um livro sempre aberto, sempre inacabado”[5], ressalta Nicolas Behr.
Além do tom quase sempre inflamado, irreverente e questionador da produção literária da Geração Mimeógrafo, os fatores que mais se sobressaem são o domínio sobre a produção, a independência de idéias e o poder de transformação da obra sem os limites ou conveniências editoriais. Assim como a imprensa alternativa voltada para o jornalismo, a Geração Mimeógrafo procurava ser autônoma e contava para isso com a cumplicidade do público.
Por outro lado, por seu caráter artesanal, ela abria a possibilidade de cada leitor se tornar porta-voz de suas próprias idéias. Essa Geração extrapolava os objetivos imediatos do discurso e se transformava numa atitude, onde o emissor se confundia com as idéias transmitidas, com o processo de produção e com o público com quem pretendia se comunicar.*
minha poesia não canta nada
– como haveria de cantar? –
berra todo nosso sufoco
como um doido na camisa-de-força.
vem do útero do ânus estuprado
do peito doente
da cirrose do fígado.
minha poesia é o pânico
a quarta dimensão terrível
da vida consumada no porto da barra pesada
das penitenciárias dos hospícios
do pervintin da maconha da cachaça
do povo na rua
– do povo de minha laia.
minha poesia é o hino
dos libertinos
q conspiram na noite dos generais...
Fontes:
* Henrique Magalhães - O rebuliço apaixonante dos Fanzines. Ed. Universitária da UFPB. 2003. Págs. 16 e 17.
** Coletânea em PDF com 26 poetas ditos "marginais": http://coordenacaodolivro.blogspot.com/2011/08/hoje-e-sempre.html (pág. 251)
[5] Nicolas BEHR. VVAA. In 1º Encontro de Arte Brasileira Independente. São Paulo: janeiro 1981,p.4. (texto completo no site do Behr: imagem no início do post)


Página de abertura da matéria na revista Supernova: As duas primeiras imagens são do primeiro show da Hard Money no DCE da UEL em 1991. A imagem final é de uma das últimas apresentações da banda em 2009 no extinto Strettos Bar.
1988 – Show da banda “Desordem e regresso”, cancelado no colégio Maxi após a direção se deparar com essas pessoas “estranhas” para a época. O show teve que ser realizado no local apertado do ensaioA era dos fanzines
1989 – Primeiro fanziencontro, o encontro de fanzineiros, realizado em Londrina
Nesta época, alguns garotos começaram a fazer pixações e a produzir fanzines com mais frequência. Estes zines eram pequenas publicações produzidas principalmente com desenhos feitos à mão, com recortes e textos onde tentavam expor sua visão sobre temas diversos como religião, política, sociedade e música. Era uma opinião alternativa àquela recebida por seus pais, no colégio, na igreja ou na televisão. Na ausência da internet, os fanzineiros também trocavam seus materiais reproduzidos em fotocopiadoras por correio com pessoas de outras cidades. Assim, mais informações sobre bandas, o movimento Punk, campanhas de boicote ao consumo de produtos de origem animal e álcool, por exemplo, chegavam em Londrina.
Fanzine Cancro Cítrico, publicado entre 1988 e 1994 em Londrina
Faça você mesmo
Punks em Londrina na década de 80 e integrantes da banda “Desordem e regresso”
Um componente importante na cultura punk é o “faça você mesmo”. Ou seja, se você está insatisfeito com algo, deve ter “atitude”, criar alternativas e aprender na prática, com os erros. No início do Punk, décadas de 70 e 80, isso foi uma quebra de paradigma. A vontade de fazer, de contestar e tornar real seus sonhos deixava a preocupação com a técnica em segundo plano, o importante era se expressar e se divertir. Influenciados por bandas como Stooges e MC5, uma forma musical simples, barulhenta, com poucas notas e vocais gritados se encaixou perfeitamente a essa proposta. Assim surgiram muitas outras bandas.
E aqui não foi diferente. Para se ter ideia dessa efervescência, após uma semana da criação da banda londrinense “Desordem e regresso”, ela foi convidada para tocar em Curitiba. Lá, os novos punks encontraram uma cena muito maior e se animaram ainda mais para consolidar o movimento em Londrina: “Meninas curtindo punk rock, eu fiquei maravilhado: nossa mulher gosta!”, diz Luis Eduardo “Cientista”. Uma dica para quem quiser conhecer mais sobre o punk curitibano na década de 80 é o documentário “Punks na cidade”, lançado em 2003.
Violência
Na cultura punk, a violência, embora estigmatizada, nunca foi o tema central. O filme “Selvagens da noite” (The Warriors) de 1979, por exemplo, fez grande sucesso no Brasil e influenciou muitos jovens após ser exibido na televisão aberta por volta de 1983 e mostra brigas de gangues do começo ao fim com uma leve alusão ao que seria o visual punk. Além disso, a famosa reportagem de 15 minutos do “Fantástico” exibida no início deste mesmo ano também contribuiu para criar essa imagem violenta e degenerada do punk. Na ocasião, antes de gravar, a repórter chegou a pagar bebida aos garotos para deixá-los em situação o mais desconfortável possível perante as câmeras.
DCE UEL durante o Primeiro show da Hard Money em 1991
Mas foi aqui mesmo em Londrina, na década de 90, que essa imagem negativa ficou de lado. No cenário do rock “underground” composto de poucas pessoas mais ativas, todos se uniam e se divertiam. Os skatistas, os metaleiros e os punks frequentavam os mesmos espaços e, na maioria das vezes, mantinham boas relações. Para o tatuador Celso Batista, “em londrina não tinha divisão punk, metal, rivalidade, a gente era só amigo”. Nesse contexto de amizades e fanzines, também se formou o coletivo anarquista “Gralha negra” que, aos domingos na sede do DCE da UEL localizada na esquina das ruas Piauí com Hugo Cabral, promovia encontros libertários e discussões sobre os mais diversos temas.
Com experiências anteriores e uma vontade imensa de agitar e tocar Ramones, em uma época em que pouca gente conhecia essa banda na cidade, e também criar músicas próprias, em 1991, os amigos “Cientista” e Herber Hatada, que então tinham uma banda chamada “Merda” e cujas canções chamavam-se “Merda um”, “Merda dois” e assim por diante, convidaram Rei para integrar o grupo. A primeira formação da Hard Money se consolidou com a entrada de Jean Ruzycki, então com 15 anos, no baixo.
O primeiro show foi um exemplo da determinação que tinham em agitar a cidade. Após muitos nãos, conseguiram dois patrocínios e a ajuda financeira de um amigo. Espalharem cerca de mil cartazes pela cidade e conseguiram lotar o DCE da UEL. De lá para cá, quem participou dos shows da Hard Money relata uma energia incrível.
1993 - Segunda formação: Rei Santos (baixo e vocal), Jean Ruzycki (guitarra) e Cientista (bateria)
Para o músico e produtor de eventos (como o festival Rock Nova Cena), Marcelo Sapão, os “shows eram alucinantes de verdade, de você chegar e: meu, o que está acontecendo?”. Quem viveu a época relata tudo de maneira nostálgica. No meu caso, pude apenas acompanhar o show de comemoração dos 18 anos da banda em 2009, no já extinto bar Strettos. O que posso dizer? Primeiro, foi surpreendente constatar que a maioria do público tinha mais idade do que eu. Além disso, foi uma energia que não vou esquecer.. Lembro do Cientista dizendo “Um, dois, três, quatro”, e por mais de uma hora o público agitou muito ao som dos “Hardmoneys”. Ao final, a tradicional participação como vocalista da lenda londrinense do BMX e atual diretor do Departamento de Bicicross da Confederação Brasileira de Ciclismo, Fábio Polici (o “Hardcore”), foi apenas mais uma lembrança de quanta gente bacana passou por Londrina nos anos 90. Enfim, com certeza, um dos shows mais divertidos que eu já vi.
1994 – Terceira formação: Robson (guitarra), Rei (baixo e vocal), Bianca Pozzi (guitarra) e Cientista (bateria)
Embora hoje muitos pensem que a Hard Money foi apenas uma banda cover do Ramones, ela gravou 4 demos com músicas próprias e fortaleceu a cena do rock em Londrina. Além de fazer muitos shows fora, este fortalecimento permitiu que bandas de outras cidades viessem para cá. Dessa forma, difundiam aqui as ideias e o som que se fazia de forma independente em outros cantos do país. Muitas pessoas se dizem influenciadas diretamente por este período. É o caso do baterista da banda Búfalos D´água, Lucas Ricardo, que acompanhou a Hard Money desde seu primeiro show em 1991: “a influência foi grande né, do Hard Money, desde o começo”. E o fanzineiro Ricardo “Punk” lembra que “não é apenas uma banda cover, era uma banda que tinha atitude e tocava a cidade pra frente”.
O lançamento do DVD
Exposição de cartazes e fotos históricas durante o lançamento do documentário
Na tarde de domingo, 11 de setembro, me encontrei com Luis Eduardo “Cientista” para saber mais sobre o punk rock em Londrina e também sobre como foi produzir o documentário Hard Money. A conversa foi informal e se estendeu a tarde toda. Para se ter ideia, foram cerca de três anos para recuperar e selecionar vídeos, fotografias, gravações e fanzines da época. Depois, mais um ano e meio de edição e produção. O resultado foram 200 DVD´s do documentário que estão a venda por um preço simbólico de R$ 5 e uma festa de lançamento que começou neste mesmo domingo as 19h na Kinoarte e só acabou por volta da meia noite com a exibição do vídeo, algumas cervejas, histórias e muitas risadas.
Vale lembrar também que as quase duas horas do documentário contam com participações especiais de figuras como Rédson (banda Cólera) e Rodrigo Lima (baterista do Dead Fish), além de Marcelo Dominues, Paulão Rock´n Roll, entre outras figuras conhecidas e queridas na esfera do rock londrinense.
----------------
* Essa matéria foi publicada na 5ª edição da revista Super Nova.
** As imagens foram cedidas pelo arquivo pessoal do Luis Eduardo "Cientista"




Esses primeiros skinheads eram um movimento musical apolítico. Tocavam Oi! Music, a versão punk mais radical..

É incrível, como nos agarramos